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Smiles vê chances de aquisição, mas descarta negócios fora do turismo


A Smiles, empresa de programa de fidelidade, observa oportunidades de ampliar suas fontes de receita, inclusive com aquisições, mas não planeja comprar negócios fora da área de turismo, disse o presidente-executivo da companhia, Leonel Andrade.

"Temos sido procurados por muita gente, inclusive por seguradoras para atuarmos como corretora, mas isso não é nossa prioridade", afirmou Andrade.

A declaração foi feita alguns dias depois da maior rival da Smiles, a Multiplus, ter lançado uma corretora de seguros.

De acordo com o executivo, dada a natureza do negócio, em que as empresas de programas de fidelidade acumulam volumes altos de caixa, e a elevada base de clientes, a sondagem de investidores e parceiros potenciais é constante.

"É hora de olhar oportunidades, mas no caso da Smiles, se houver algo, vai ser no nosso 'core business'", afirmou.

Controlada pela companhia aérea Gol, a Smiles é a segunda maior empresa listada do setor, com 11,5 milhões de clientes.

Diante do aumento da concorrência no setor, com o lançamento em junho da Livelo — 'joint venture' do Bradesco com o Banco do Brasil — e dos efeitos da economia em recessão sobre as margens, as empresas de programas de fidelidade têm rapidamente expandido suas atividades para poder diversificar as fontes de receita.

Em julho, a Multiplus fez parceria com a Expedia para atuar em reservas de hotéis. No dia seguinte foi a vez da Smiles fazer uma parceria similar com a Rocketmiles, braço do grupo norte-americano Priceline.

Segundo Andrade, dada a expectativa de maior concorrência, com o surgimento de novos participantes no mercado, a tendência é de gradual queda nas margens de lucro das empresas do setor. No caso da Smiles, no entanto, a margem ao redor de 36 por cento no segundo trimestre, deve se manter no próximo ano, disse ele.

"No curto prazo não há risco de a margem cair, também por causa do nosso foco no controle dos custos", afirmou.

Um dos fatores que devem pressionar as margens do setor, segundo o executivo, é a tendência de queda da quantidade de pontos acumulados por clientes e que expiraram antes de serem utilizados, chamado no jargão do mercado como "breakage".

Na prática, o "breakage" resulta em ganho para a empresa de fidelidade a custo zero. Na média, cerca de 20% das receitas das empresas do setor são oriundas do "breakage". Na Smiles, essa taxa caiu para cerca de 15% nos últimos três anos.

No lançamento da Livelo, executivos disseram que um dos objetivos da companhia é estimular os clientes a resgatar pontos com mais frequência, usando-os para comprar artigos de valores menores, inclusive para comprar créditos para telefone celular.


REGULAMENTAÇÃO

Para o presidente da Smiles, a manutenção de margens de lucro saudáveis das maiores empresas do setor, comparativamente com os demais setores da economia, que têm sofrido mais de forma mais intensa os efeitos da recessão, têm atraído o interesse de mais investidores a atuar em gestão de programas de fidelidade.

Isso é preocupante, segundo ele, porque o setor não é regulamentado e as práticas prudenciais de capital dependem das próprias companhias.

Para o executivo, a eventual dificuldade de uma grande empresa do setor em conseguir cumprir com obrigações financeiras poderia criar incertezas sobre a solidez do setor.

"Deveria ser mais difícil criar um programa de fidelidade", disse Andrade. "É questão de tempo: vamos ser regulados com certeza."

O executivo avalia que a regulação do setor, que tenderia a ser feita pelo Banco Central, pode criar exigências mínimas de reserva de capital tais como as exigidas para os bancos, e possível quebra de contratos de exclusividade.

Fonte: Folha de S. Paulo/Reuters

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