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Aeronáutica quer reduzir até 25% do pessoal em 20 anos

Avião da FAB (Força Aérea Brasileira). Foto: Johnson Barros/FAB.

Com restrições orçamentárias e desafios tecnológicos pela frente, como superar a paralisia do programa espacial, a Aeronáutica quer reduzir até 25% o número de oficiais e de graduados num horizonte de 20 anos, baixando-os de 20 mil para 14,4 mil militares.

Como parte do plano, a Aeronáutica desencadeou uma série de medidas administrativas, incluindo desativação de bases aéreas, substituídas por "alas", um processo de reestruturação e centralização de assuntos administrativos que deve ser concluído até o último dia de dezembro deste ano.

A Força também iniciou os movimentos para criar duas empresas públicas, uma voltada para tecnologia aeroespacial e outra para controle aéreo.

As informações foram dadas pelo comandante da Aeronáutica, o tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Luiz Rossato, em entrevista à imprensa em Brasília nesta quinta-feira (22).

O brigadeiro defendeu que o Brasil passe a enfrentar um dos principais gargalos do setor, a política espacial. Ele contou que esteve na Índia na semana passada e concluiu que o país investe US$ 1,1 bilhão ao ano no setor, emprega 17,5 mil pessoas e mantém 35 satélites em órbita.

A título de comparação, a lei orçamentária de 2015 separou R$ 323 milhões para a AEB (Agência Espacial Brasileira). Em 2016, são R$ 159 milhões.

"Eles [indianos] começaram igualzinho a nós 30 ou 40 anos atrás. Nos estamos aqui andando igual caranguejo, para um lado e para o outro e não andamos para frente. Falta ao Brasil olhar para cima. Se o americano gasta dezenas de bilhões de dólares, o russo, o chinês e agora o indiano... Até o argentino gasta em torno de dez vezes mais do que nós estamos gastando hoje. Esse pessoal gasta esse dinheiro não à toa, ele sabe a importância disso", disse o comandante.

Rossato argumentou que os satélites necessários ao Brasil são "mais simples, de órbita baixa", voltados para comunicações e monitoramento de meio ambiente e segurança pública.

O brigadeiro revelou que, devido às deficiências brasileiras, uma empresa israelense se ofereceu e cedeu imagens para monitoramento da segurança nas Olimpíadas de um satélite Eros-B. A cerca de "600 km ou 700 km" de altura, o satélite tinha capacidade de resolução de 60 centímetros e foi usado por militares e policiais brasileiros, após um treinamento em Israel.

ALAS

Segundo o comandante, a reestruturação administrativa da Aeronáutica é estudada desde 2014, começou a ser implantada desde sua chegada ao comando, em janeiro de 2015, e não foi influenciada pela posse do presidente Michel Temer após o impeachment de Dilma Rousseff. O planejamento foi feito por considerar que 2016 marca o início da "quarta geração' da história da Aeronáutica, que completará 100 anos em 2041.

O brigadeiro afirmou que a redução previsto de até 25% de oficiais e graduados não afetaria as atividades da Força. O princípio básico das reformas é "a redução total das despesas de atividades-meio e a [consequente] ampliação do limite de despesas para custeio, investimento e atividades-fim". As duas principais metas são "a concentração das atividades administrativas e a reestruturação organizacional". Foi criado um órgão para gerenciar toda a parte administrativa, separando do operacional.

"Ou nós nos adaptamos aos novos tempos ou nós simplesmente não existimos em termos de poder aéreo e de capacidade dissuasória", disse Rossato. "Se não tomarmos alguma atitude aqui, em alguns anos nós vamos usar todo o recurso para cuidar do nosso umbigo e, para nossa missão, não vamos ter recursos para fazer", afirmou o comandante.

O brigadeiro informou que a Aeronáutica está substituindo os comandos aéreos regionais, até então localizados em Manaus (AM), Belém (PA), Recife (PE), Rio, São Paulo, Portgo Alehgre (RS) e Brasília, por seis ou sete alas, formadas basicamente por comandante, e grupos de "suporte operacional, logístico, segurança e defesa".

"As atividades administrativas estão sendo passadas para outros órgãos e as bases serão operacionais. Estamos criando alas, ou 'wings', como todo mundo lá fora já usava e nós não usávamos", disse o brigadeiro.

"Quando nós concentramos unidades áreas e administrativas, há uma redução de quantidade de gente. Não existe redução da capacidade operacional, mas de gente, sim."

O brigadeiro negou, porém, que as antigas bases serão fisicamente interditadas. "Vamos manter aquelas bases porque podemos utilizar para alguma atividade no futuro, qualquer emergência que exista."

Fonte: Folha de S. Paulo

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