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Latam renegocia com aeroportos, à espera da demanda

Claudia Sender, da Latam Brasil, diz que o mercado parou de piorar, mas "todo mundo esperava uma demanda que não veio".

A demanda no mercado de aviação parou de piorar no Brasil, mas os sinais de reação ainda são tímidos e insuficientes para sustentar uma previsão de que a recuperação começou.

A avaliação é da presidente da Latam Brasil (antiga TAM), Claudia Sender. "A situação parou de piorar, mas ainda é cedo para ver uma retomada", disse ao Valor a presidente da Latam Brasil (antiga TAM), Claudia Sender.

Ela concorda com estimativa da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) de que o setor terá retração, entre 7% e 10%, neste ano na demanda ante 2015. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o tráfego doméstico brasileiro caiu 6,9% em julho ante igual mês de 2015, completando 12 meses seguidos de baixa. A Latam Brasil teve de janeiro a agosto retração de 11%.

O impacto da demanda fraca tem sido forte nas rotas internacionais. A Latam Airlines cortou em 35% a oferta de assentos em voos ligando o Brasil a destinos nos Estados Unidos. "Toda a indústria sofreu. A redução de passageiros nessas rotas chegou a 40% nos dois últimos anos, com receitas caindo até 70% em dólar", afirmou Claudia Sender.

Miami, tradicional destino de turistas brasileiros, vem sofrendo. "E Buenos Aires vem se mantendo, mas por causa dos argentinos", diz a executiva.

Nesse cenário, a relação com os concessionários de aeroportos está mais "difícil" e a Latam tem tentado renegociar contratos. "Todo mundo esperava uma demanda que não veio. Muitas lojas [em aeroportos] estão fechadas porque não tem demanda".

A executiva afirmou que o modelo de concessão de aeroportos de Guarulhos, Viracopos, Galeão, Confins, Brasília e Natal - baseado no pagamento de outorgas - levou operadores a repassarem a conta para as empresas aéreas para cobrir os compromissos assumidos para ganhar os leilões.

"Desde o início das concessões, as tarifas aeroportuárias que pagamos aumentaram de 300% a 600%. O metro quadrado que pago hoje na sala VIP de Guarulhos é mais caro o metro quadrado do shopping Cidade Jardim [um dos centros de compras mais caros da cidade de São Paulo]", disse.

Claudia Sender observou que essa experiência negativa deve ser levada em conta na nova etapa de concessões preparada pelo governo federal, para os terminais de Fortaleza (CE), Salvador (BA), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS).

Cláudia Sender disse que a Latam mantém o planejamento de ajustar a oferta da empresa à demanda mais frágil no Brasil, com meta de reduzir em 2016 a capacidade em até 12% ante 2015.

Com os ajustes da oferta, a Latam também colocou na geladeira o projeto de estabelecer um terminal de conexões - hub - na região Nordeste do Brasil. "Não há demanda hoje para esse projeto", disse Claudia Sender.

O projeto, que segundo a aérea vai gerar impacto econômico de US$ 9,9 bilhões no Nordeste em cinco anos, está em disputa por três capitais: Recife (PE), Natal (RN) e Fortaleza (CE). Planejado para ter a capital definida em dezembro de 2016 e o início da implementação ao longo de 2017, foi suspendo por enquanto.

Para Claudia Sender, a conjuntura adversa pode ser abreviada com mudanças do marco regulatório - isso pode ajudar a reforçar as receitas extraordinárias, que vão além da venda dos bilhetes aéreos. "As receitas auxiliares representam hoje para as empresas aéreas uma das principais fontes de crescimento de receita, em mercados com demanda estagnada".

Entre os pontos que podem ser alterados no novo texto das Regras Gerais da Aviação - em análise na Anac após passar por consulta pública - estão liberdade para companhias aéreas cobrarem ou não taxas por embarque de bagagem. "Acredito que estamos mais perto hoje que antes", disse Claudia Sender, ao ser questionada sobre a viabilidade de as aéreas terem suas demandas atendidas pela Anac. Segundo ela, aprovadas as novas regras, as empresas aéreas brasileiras poderão reduzir preços para passageiros que preferirem viajar sem bagagem.

Independentemente de mudanças nas regras de franquia de bagagem, a Latam está concluindo mudanças no portfólio de vendas no Brasil, para dar mais opções aos passageiros - em preços e tipos de bilhetes. Nas aeronaves novas que a empresa deverá receber para voos internacionais, os Airbus A350, a Latam estuda criar uma nova classe, como um econômica intermediária, entre a cabine tradicional e a classe executiva, entre fim de 2017 e início de 2018.

Claudia Sender disse que a demanda gerada pelos Jogos Olímpicos no Rio, em agosto, e Paralímpicos, em setembro, não chegaram a gerar demanda extra para a empresa. "Mas os Jogos foram importantes para a Latam institucionalmente porque apresentamos a nova marca e fomos a segunda marca mais lembrada pelos turistas nos Jogos, atrás da Coca-Cola, mas à frente do Bradesco", disse.

Fonte: Valor Econômico

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