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Máquinas disputam em performance

Legacy 500, da Embraer: entre as inovações, controle full fly-by-wire, que aumenta o nível de automação.

Empresas como Embraer e Honda, que entraram um pouco mais tarde que as gigantes mundiais Cessna, Bombardier e Dassault na aviação executiva contam com os investimentos em inovação para conquistar fatias maiores de mercado. 

A tarefa pode não ser fácil, mas a incorporação de sistemas da aviação comercial ou militar combinada com tecnologias de última geração em aviônica e integração de plataformas são recursos que estão sendo utilizados por quem quer crescer nessa área. E não se trata de privilégio das aeronaves - os helicópteros também ganham seus modelos inovadores.

Alguns elementos que estão chegando ao mercado nas aeronaves mais modernas são fáceis de reconhecer, como suítes de aviônica inteligentes, com telas touchscreen e com plataformas integradas, sistemas de entretenimento completos, conectividade via satélite ou utilização de links terrestres de rádio que permitem o acesso à internet durante quase todo o voo, mais autonomia, design luxuoso e muito espaço na cabine. Mas ainda há muito a ser descoberto.

A Embraer, na verdade, só é novata nessa área quando a comparação envolve o longo tempo de mercado de seus concorrentes. Seu primeiro jato executivo foi lançado em 2000 e entregue dois anos depois. Ela conta com 300 jatos Legacy e 675 da série Phenom vendidos no mercado mundial. Mas a empresa decidiu mudar de patamar para enfrentar com mais fôlego os líderes, cujos modelos estão há anos no mercado e apesar de versões mais modernas não têm apresentado soluções disruptivas.

Em 2007, deu início aos estudos de dois novos jatos executivos de médio porte com tecnologias até então não disponíveis nessa área. Reuniu um time de 800 engenheiros e pela primeira em sua história fez um desenvolvimento totalmente digital que partiu do zero.

Como resultado, a empresa já vendeu perto de 50 aeronaves dos modelos Legacy 500 e Legacy 450. Este último ganhou no mercado o termo game chancer, um conceito que a empresa quer reforçar em suas investidas comerciais. Esses modelos trouxeram para a aviação executiva várias inovações, como o controle full fly-by-wire, antes disponível apenas na aviação comercial, que aumenta significativamente o nível de automação.

Na prática isso significa medidas de proteção automatizadas que impedem que o piloto coloque a aeronave em risco, segundo Alvadi Serpa Júnior, estrategista de produto. Isso pode envolver uma reorganização automática de comandos caso um motor ou outro dispositivo apresente problemas ou mesmo uma forma de dar mais garantias para o pouso. Se durante um voo alguma peça apresenta problema, o próprio sistema detecta e envia essa informação para o aeroporto de destino que já terá os equipamentos disponíveis para troca assim que o avião pousar.

Os novos modelos da Embraer também incorporaram uma tecnologia da empresa, o E2VS (Embraer Enhanced Vision System), que, integrado com a aviônica dos jatos, permite operar com visibilidade ampliada. "São três câmeras instaladas no avião que enxergam em frequências diferentes e, combinadas com algoritmos de geolocalização, colocam os dados da pista em um mapa em uma tela na frente do piloto", afirma o executivo. Isso deu um ganho de 30 metros na investida do jato para um pouso em condições adversas.

Philipe Figueiredo, diretor de vendas de aeronaves da Líder Aviação, está otimista quanto à chegada do Hondajet, primeira aeronave da Honda Aircraft, braço de aviação do grupo Honda. A representação exclusiva da Líder para a venda dos jatos foi assinada no ano passado e como na ocasião já havia compromissos de entregas o Brasil entrou na fila de espera e vai receber as primeiras aeronaves em 2018. "Mas já temos nossa própria lista de espera no mercado brasileiro", diz o executivo. A companhia também representa os aviões Bombardier no país.

Para ele, a vantagem de chegar mais tarde é a de absorver as tecnologias de última geração. "A Honda tinha tempo e dinheiro para entregar exatamente o que queria", ressalta. Entre as novidades do jato leve de alto desempenho está a configuração que prevê os motores sobre as asas. "Não há nada parecido, isso proporciona melhoria de performance e no consumo de combustível", diz Figueiredo. A aeronave também inova no perfil aerodinâmico, com perfil de fluxo de ar liminar na asa e tem recursos de fuselagem composta, o que ampliou o espaço de cabine. O conforto do espaço interno, por sinal, foi uma preocupação tanto nos aviões da Honda quanto no da Embraer.

Alessandro Branco, gerente de engenharia da Helibras, considera que essa é a tendência, as novas tecnologias se tornaram instrumentos importantes para ajudar na redução de trabalho do piloto ampliar o conforto do passageiro tanto fisicamente como com sistemas de entretenimento e conectividade. Esse conceito de inovação, segundo o executivo, também está sendo aplicado nos helicópteros da Airbus comercializados no Brasil pela empresa. Ele cita como o exemplo o H175, versão mais moderna da linha, dotada do sistema de aviônica Helionix, que inclui o glass cokpit, ou instrumentos de voo disponíveis em displays eletrônicos ou digitais e cujos dados surge em telas grandes de LCD.

Em sua parceria com a Airbus, a Helibras tem algumas vantagens por ter atingido o nível 1 de engenharia. Na prática, isso significa que a empresa tem acesso a todas as informações da pesquisa de base realizada pela companhia e com equipes próprias pode aplicar esse conhecimento de forma customizada nos equipamentos que vende. Um dos exemplos da tecnologia aplicada se deu durante as Olimpíadas para atender a necessidades específicas do Comando de Controle do Rio de Janeiro. Na aeronave utilizada, os sistemas de mapas digitais não eram apenas integrados mas também estavam disponíveis Full HD com recursos de realidade aumentada.

Fonte: Valor Econômico

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