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Número de acidentes aéreos em 2015 foi o menor em quatro anos


Quando ocorre um grave acidente aeronáutico, com grande repercussão na mídia, é o momento em que todos se lembram de que o perigo pode estar no céu, onde mais de 1.500 aviões e helicópteros sobrevoam o espaço aéreo brasileiro diariamente.

Também é o momento em que a aviação executiva entra na berlinda, mesmo que seja composta por perfis diferentes de aeronaves e regulamentação. A boa notícia é que o número de acidentes aeronáuticos é decrescente há quatro anos.

Dados do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) mostram que o número de acidentes registrados em 2015 foi o menor dos últimos quatro anos, com uma redução de 16% na comparação anual. Foram 123 acidentes contra 146 em 2014, 160 em 2013 e 179 em 2012.

Mas apesar de ter diminuído, o número de acidentes no país ainda é considerado alto. E tem uma explicação, na avaliação de Ricardo Nogueira, diretor geral da Abag (Associação Brasileira de Aviação Geral). Para ele, o problema está no grande número de aviões de menor porte registrados como pertencentes a pessoas físicas e que consistem na maior parte da frota nacional de aeronaves civis. "Temos procedimentos sendo obedecidos por aeronaves particulares, sem dúvida, mas muitos trabalham sem exigir a segurança necessária dos pilotos, das aeronaves e nem mesmo há fiscalização adequada das pistas de pouso que utilizam", diz.

No Panorama Estatístico 2015, da Cenipa, que avalia o desempenho da aviação brasileira de 2005 a 2014, a participação dos aviões particulares, classificadas de TPP, no total de acidentes aéreos responde por 44,10 % das ocorrências no decênio onde figuraram dois grandes acidentes na aviação comercial, a queda do avião da Gol em 2006 e da TAM em 2007.

Pesa ainda sobre o setor aéreo outra questão polêmica, que envolve a aviação experimental. Segundo dados da Abravagex (Associação Brasileira das Vítimas de Aviação Geral e Experimental), desde 2006 a frota de aviões experimentais aumentou 71% ante 49% de aviões certificados.

A entidade cobra mudanças no Código Brasileiro de Aeronáutica para enquadrar esse tipo de categoria em regulamentação mais rígida nos quesitos segurança e fiscalização. A aeronave que caiu em março deste ano matando o empresário Roger Agnelli, cinco pessoas de sua família e o piloto, voava na categoria experimental.

A superintendente da Líder Aviação, Junia Hermont, diz que a adoção de melhores práticas de segurança operacional já rendeu à empresa certificações como a ISSO 9001 e a OHSAS 18001. A companhia ainda é parte do BGAST (Grupo Brasileiro de Segurança Operacional para a Aviação Geral). "Investimos cerca de US$ 8 milhões ao ano em treinamento, programas de controle e várias ações nessa área", afirma.

Antes de ser uma exigência da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a Líder utilizava ferramentas para o controle de uso de álcool e droga pelos pilotos. E criou um cartão, batizado de Stop Card, que dá autoridade ao funcionário da empresa para interromper qualquer procedimento que considere inseguro. A essas se somam diversas outras iniciativas, muitas envolvendo alta tecnologia como o BlueSky, a sala de monitoramento em tempo real dos helicópteros.

Fonte: Valor Econômico

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