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Para Kakinoff, da Gol, não há espaço para tantas aéreas

Paulo Kakinoff, da Gol: flexibilização da legislação brasileira é positiva.

O mercado da aviação na América do Sul não é grande o suficiente para comportar a quantidade de empresas aéreas que disputam esses consumidores hoje, segundo leitura do presidente da Gol, Paulo Kakinoff.

"O mercado está superdimensionado", disse. "É mais uma visão que uma previsão. Vai haver um movimento de consolidação", apontou o executivo da líder do setor aéreo no Brasil - dono de metade do tráfego nessa região.

Segundo a Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata), que representa as 260 maiores companhias do setor no mundo, a América Latina responde por 5,4% do tráfego da aviação global. De janeiro a julho deste ano, o tráfego mundial cresceu 6%, mas na América Latina a expansão foi de 3,6%.

Além da Gol, a América do Sul é disputada pela Latam Airlines - líder em voos internacionais e ainda nas rotas doméstica de Chile, Peru e Equador -; pela Avianca, número um na Colômbia e quarta maior no Brasil; pela Azul, terceira maior no Brasil, mas que também é sócia da portuguesa TAP; e pela Aerolineas Argentinas.

A região também é atendida nas rotas internacionais por diversas aéreas estrangeiras, como as dos Estados Unidos - American, Delta, e United - e a panamenha Copa.

Kakinoff preferiu não se pronunciar sobre quais seriam as consolidadoras e consolidadas na América do Sul, mas sinalizou que a Gol está posicionada para ser protagonista.

A Delta Air Lines, segunda maior aérea dos Estados Unidos, tem 9,5% do capital da Gol, sendo a maior acionista minoritária da empresa brasileira. A mesma Delta tem 49% da mexicana Aeromexico. Por isso, é vista por analistas como uma consolidadora, algo que Kakinoff não comenta. "Isso deve ser perguntado à Delta".

O presidente da aérea americana, Ed Bastian, afirmou em maio último, que não tem planos de curto prazo que passem por um incremento de fatia na Gol.

Para Kakinoff, a flexibilização da legislação brasileira, permitindo a uma empresa estrangeira ter até 100% de uma empresa brasileira - em vez do teto atual de 20% - é positiva porque amplia o acesso da aviação local ao capital externo.

Concorrentes da Gol também poderiam ser beneficiadas por uma legislação mais receptiva ao capital estrangeiro na aviação doméstica brasileira. A Azul tem como sócias minoritárias a americana United e a chinesa HNA. A Latam é controlada por uma holding estabelecida no Chile, que tem como sócia a árabe Qatar.

O presidente da Gol rebate a tese de que a abertura do capital pode acirrar a competição para aéreas locais, com empresas estrangeiras abrindo operações do zero por aqui. "Se for para competir com as mesmas condições que temos, com frota formada por aviões de matrícula brasileira, tripulação brasileira, sede no Brasil e pagando impostos no Brasil, podem vir. Somos mais competitivos."

Kakinoff considera concluída a reestruturação de dívida da companhia - um processo iniciado no semestre passado. "O ciclo está encerrado. Mas a companhia continua trabalhando e precisando melhorar as condições de endividamento."

Na reestruturação, a Gol conseguiu trocar bônus em dólares, renegociou debêntures com bancos brasileiros e antecipou a devolução de 12 aeronaves arrendadas. Com isso, reduziu a relação entre endividamento líquido e receita operacional, que estava em 11 vezes em 2015, para menos de 7 vezes em 30 de junho.

No fim de 2014, no entanto, essa relação estava em 5,3 vezes, nível que analistas do setor consideram sustentável. Nesse contexto, Kakinoff disse que "neste momento" não está em andamento nenhum novo acordo com credores ou fornecedores, mas pontuou que "no futuro, tudo pode acontecer".

Fonte: Valor Econômico

Um comentário:

  1. Matéria gentilmente enviada pelo usuário do AEROJOAOPESSOA, Rudolf Thales.

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