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Quem compra um jato executivo de 50 milhões de dólares?

O Falcon 8X é a maior novidade da Labace 2016 e também um dos jatos mais caros na feira (Foto: Ricardo Meier).

A aviação executiva é dividida em categorias que atendem diferentes gostos, bolsos e necessidades.

O Embraer Phenom 100, por exemplo, é um jato do segmento “light”, muito apreciado por empresas de táxi-aéreo ou até mesmo para uso privado, por clientes-pilotos. O modelo brasileiro, um dos mais vendidos do mundo, custa cerca de US$ 4 milhões e pode realizar viagens de 2.182 km com quatro passageiros e muito conforto.

Na outra ponta desse mundo vêm os jatos executivos da categoria “ultra longo”, aeronaves capazes de cruzar metade do planeta sem escalas transportando 20 passageiros em altíssimo luxo e conforto superior a qualquer primeira classe de companhia aérea. O preço nessa categoria também é bem diferente: nenhum desses jatos custa menos US$ 50 milhões (cerca de R$ 161 milhões).

Três dos principais jatos executivos ultra longos do mercado mundial estão expostos na Labace 2016, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. São eles o Bombardier Global 6000, Gulfstream G650 e o novíssimo Dassault Falcon 8X, que realiza sua primeira aparição em uma feira de aviação no mundo. E, por incrível que pareça, essas aeronaves, apesar dos preços exorbitantes, são as preferidas do público brasileiro que compra esse tipo de “ferramenta”.

Gigante canadense

“Aviões executivos de grande porte são adquiridos principalmente por grandes corporações. Quem viaja em uma aeronave desse tipo vive lutando contra o tempo e frequentemente realiza longos voos entre continentes. Nesses momentos, um jato executivo permite a essa pessoa continuar trabalhando ou manter-se descansada e melhor preparada para uma reunião de última hora no outro lado do mundo, por exemplo”, explicou Anne Cossete, diretora de marketing da divisão de aviação executiva da Bombardier para a América Latina, em entrevista aoAirway.

O Bombardier Global 6000 pode voar de São Paulo até Moscou, sem escalas (Foto: Thiago Vinholes).

“A participação de clientes que usam esse tipo de aeronave para uso exclusivamente pessoal é muito pequena”, contou Anne. “Em apenas um dia, um avião executivo como o Global 6000 pode cumprir uma série de voos longos que levaria uma semana por meio de companhias aéreas, entre processos de reservas, conexões, espera e etc. O Brasil, por ser um país distante dos grandes centros, é um dos principais compradores de jatos executivos de longo alcance”, completou a diretora da Bombardier.

O jato fabricado no Canadá pode voar de São Paulo até Moscou, na Rússia, sem escalas (tem alcance máximo de 10.800 km). A configuração mais pedida para o Global 6000 é a cabine para 17 passageiros com opção para levar mais dois ocupantes em um sofá com cintos de segurança. Segundo a diretora da Bombardier, dos mais de 150 jatos da empresa em operação no Brasil, 15 deles são da categoria ultra longo.

O interior do Global 6000 exposto na Labace é dividido em três ambientes (Foto: Thiago Vinholes).

O jato executivo da Bombardier é tão grande que por pouco pode ser confundido com um avião comercial. O Global 6000 tem 30,3 metros de comprimento e pode decolar com peso máximo de 35 toneladas, quase a mesma capacidade do Airbus A318, como os utilizados pela Avianca Brasil.

“O processo de compra de uma nova aeronave desse porte, entre o pedido e a entrega, pode levar até cinco anos e o custo mensal com manutenção, combustível e tripulação pode chegar a US$ 200 mil, no caso de clientes que voam com maior frequência”, completou Anne. O Global 6000, no mercado desde 2006, é oferecido com preços a partir de US$ 50 milhões.

“Avião bonito voa bem”

A fabricante francesa Dassault, por outro lado, observa outro tipo de demanda no Brasil: seus aviões de longo alcance são os preferidos de clientes que procuram um jato ultra longo para uso privado.

O Falcon 8X pode voar a velocidade próximas dos 1.000 km/h (Foto: Ricardo Meier).

“Como bem dizia Marcel Dassault (fundador da Dassault), ‘avião bonito voa bem’. Os jatos da Dassault chamam a atenção pelo design e o alto desempenho, por isso têm boa aceitação de clientes privados. São rápidos, mesmos em velocidade de cruzeiro, e podem ir muito longe, especialmente agora com o novo Falcon 8X”, contou Gustavo de Toledo, diretor de vendas da Dassault no Brasil.

A “sala de estar” no fundo do Dassault Falcon 8X… (Foto: Divulgação).

O Falcon 8X realmente é uma aeronave de tirar o fôlego. A fuselagem começa com o nariz esbelto e afunilado e termina com uma cauda com quase oito metros de altura e três motores, configuração já em desuso na indústria, mas que a Dassault ainda mantém. “Os três motores proporcionam uma margem de segurança muito maior em relação aos bimotores, além de também facilitar a operação em pistas curtas, sem falar no desempenho superior em voo”, explica Toledo.

A cabine do jato francês é uma das maiores da categoria e chama atenção pela altura, com 1,88 metro, e pode ser configurada para transportar nove ou 19 passageiros. O desempenho da aeronave com 24,4 metros de comprimento e peso máximo de 33 toneladas, também é digno de arrepios: pode alcançar a velocidade máxima de 970 km/h e tem alcance de 11.945 km.

Segundo a Dassault, a configuração de três motores melhora a performance em pistas curtas (Foto: Thiago Vinholes).

“Dos 14 jatos Falcon 8X encomendados no mundo todo, quatro são para clientes no Brasil”, contou o diretor de vendas da Dassault. O novo jato executivo francês tem preço inicial de US$ 57 milhões.

Jato superlativo

O terceiro “gigante” da Labace 2016 é o norte-americano Gulfstream G650ER, um jato com porte, desempenho e luxo que parecem desmedidos. “Não é exagero. Absolutamente ninguém compra esse avião apenas para diversão. É pura necessidade. Toda compra de uma aeronave corporativa, independentemente do segmento, é motivada por uma sequência de fatores, como para onde se deseja voar ou quantas pessoas pretende transportar. Se a necessidade do cliente for por um jato extremamente rápido e com longo alcance para transporte de altos executivos, o G650ER pode ser a solução perfeita”, contou Heidi Fedak, gerente de comunicação da Gulfstream.

Jato mais caro da Labace 2016: o Gulfstream G650ER é avaliado em US$ 68 milhões (Foto: Ricardo Meier).

O G650ER é o que pode se chamar de avião “top de linha” da Gulfstream. O aparelho tem 30,4 metros de comprimento por 30,4 m de envergadura, e pode decolar com peso máximo de 37 toneladas. Já o desempenho, como bem disse a diretora da empresa em conversa com a reportagem, é “tremendous”. O modelo pode voar a 982 km/h e realizar viagens de até 14.000 km. “Ele pode ir para qualquer parte do planeta, praticamente”, contou Heidi.

O modelo exposto na Labace está configurado para transportar 14 passageiros em três ambientes. Esse mesmo G650ER também conta com uma cabine privada para um terceiro tripulante, que pode ser um terceiro piloto ou então um comissário de bordo. O jato executivo da Gulfstream ainda é um dos poucos que pode ser equipado com dois toaletes.

O G650ER também tem as maiores janelas da categoria ultra longo (Foto: Thiago Vinholes).

“Acima do G650ER vêm apenas os jatos executivos desenvolvidos a partir de aeronaves comerciais”, explicou a gerente da empresa. A categoria citada por Heidi é a dos jatos “ultra large”, como o Embraer Lineage 1000E, baseado no jato comercial E190, e o ACJ319, construído a partir do Airbus A319.

O Gulfstream G650ER, introduzido no mercado em 2008, é o maior avião da Labace 2016 e também o mais caro: o preço começa em US$ 68,8 milhões. Segundo a gerente da fabricante, dos 42 jatos Gulfstream em operação no Brasil, cerca de 10 unidades são da categoria ultra longo, todos adquiridos por clientes corporativos.

Sala no fundo do G650ER, configurada para cinco passageiros (Foto: Thiago Vinholes).

Esperança de retomada

Os três executivos entrevistados também comentaram sobre a situação do mercado brasileiro e todos acreditam em uma retomada na aviação executiva até o final deste ano. “As negociações nunca pararam. O que aconteceu, é que muitos clientes no Brasil decidiram adiar seus pedidos a espera de um momento econômico mais favorável para concluir a compra”, contou a Anne Cossete, da Bombardier. A mesma situação também foi relatada pelos diretores da Gulfstream e Dassault.

Fonte: Airway

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