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Vou viajar, e agora? – Dicas para marinheiros de primeira viagem

Paris. Foto: Daniel Ribeiro.

Os brasileiros passaram a viajar mais e agora já voltaram a viajar menos por conta da crise.

Fato é que milhares de novos viajantes surgiram, mas muita gente ainda deixa de viajar por sentir insegurança e medo de fazer isso sozinho, ou com o orçamento restrito. Além disso, é muito fácil encontrar dicas de lugares exclusivos, experiências inusitadas e aquele bistrozinho que ninguém conhece e nenhum local vai, mas os turistas juram que é top. Mas achar o básico, as dicas de por onde começar, é mair raro.

O objetivo deste compilado é trazer informações práticas para que aqueles que pensam em viajar, estão começando um planejamento ou com as passagens na mão, tenham uma ideia geral sobre como se preparar para viajar. Este post poderá ser atualizado com novas informações, então contribua deixando suas dicas nos comentários.

Passagens aéreas

Antigamente a hospedagem era sem dúvida a parte mais cara de uma viagem. Com todas as opções que temos hoje, as passagens se tornaram as vilãs que consomem uma parte considerável do orçamento. Quanto maior a antecedência que você comprar seus bilhetes, mais baratos eles podem sair. Sites de busca de passagens cobram uma taxa de serviço de 10%, em média. Então, antes de finalizar a compra, verifique o preço no site da própria companhia. Voar às terças, quartas e sábados costuma ser mais barato, assim como fazer a compra online fora do horário comercial.

Bagagem

Um dos itens que mais trazem prejuízos aos viajantes inexperientes são os limites de peso e dimensões das bagagens. Cheque com a companhia aérea quais são os padrões adotados. Um erro comum é ir para a Europa com duas malas grandes e precisar pagar excesso de bagagem nos voos internos. Isso porque os voos que saem do Brasil para a Europa permitem duas malas de 32 quilos. Já as companhias que fazem voos entre países do velho mundo costumam permitir apenas uma mala para despachar.

Clima

O clima é um tema central das viagens. Ir para lugares frios no inverno pode ser uma experiência deliciosa e enriquecedora, mas o orçamento deve ter espaço para contemplar a compra de roupas apropriadas. Encarar graus negativos, ou mesmo positivos abaixo dos 10°C, exige materiais sintéticos adequados. Nem só de casacos se faz um inverno. Uma segunda pele é indispensável em baixas temperaturas e vão te aquecer sem privar seus movimentos. Comprar as roupas no destino é, normalmente, mais barato que comprar no Brasil. Pesquise antes.

O mesmo cuidado vale para certos destinos onde as chuvas determinam o fluxo do turismo. A época das chuvas na Índia, chamada época das monções, é devastadora e absolutamente inapropriada para o turismo. Já no Salar de Uyuni, na Bolívia, ou nos Lençóis Maranhenses, a época das chuvas é mais concorrida e mais cara por conta das belas paisagens que o aguaceiro ajuda a formar. As roupas também precisam ser adequadas. Coisas leves para o Maranhão e roupas impermeáveis e quentinhas para o salar, além de galochas.

Vistos e vacinas

Não esqueça de checar se o seu destino exige visto de cidadãos brasileiros e saber os procedimentos. Alguns países exigem que o visto seja tirado antes do embarque, como Estados Unidos e Canadá. Em alguns, o visto pode ser comprado na fronteira ao chegar. Alguns países podem exigir que o turista seja vacinado para febre amarela. A vacina deve ser tomada pelo menos dez dias antes do embarque e os brasileiros devem apresentar o comprovante da imunização em um posto da Anvisa para conseguir o certificado internacional. Pode ser que nunca te peçam o comprovante, mas se te pedirem na entrada e você não tiver, pode ser impedido de entrar no país já que é uma exigência obrigatória.

Imigração

O procedimento de imigração é obrigatório para entrar em qualquer país. A única exceção é o trânsito entre países da Europa signatários do acordo Schengen, um compromisso de livre circulação dos cidadãos entre estes 30 países. Isso quer dizer que se você entra na Europa pela Espanha, visita a França e sai pela Alemanha, seu passaporte só será carimbado na entrada e na saída. O Reino Unido não faz parte do acordo, por exemplo. Nos países membros do Mercosul, os brasileiros podem entrar somente com o RG caso não tenham passaporte. O documento de identidade deve ser recente e estar em bom estado. A habilitação (CNH) não é aceita. Além disso, em muitos países, o turista recebe um papel na entrada que deverá ser apresentado na saída. Guarde-o com cuidado.

Passagens de ida e volta impressas

Tenha todos os documentos da viagem impressos com você. Deixe na bolsa de mão e se a imigração pedir, você os mostra. Quando cheguei em Londres, a agente de imigração me perguntou quanto tempo eu ia ficar e contei que ficaria uns dias, iria para Paris e voltara para lá, então ela me pediu para ver as passagens para Paris e a reserva de volta para o Brasil. Como eu tinha tudo impresso, foi tranquilo. Eles podem pedir também para ver as reservas de hotel. Uma amiga também repórter de viagem disse na imigração do Canadá que ela ficaria na casa de amigos e o agente pediu a carta convite do anfitrião. Por ser uma viajante experiente, ela tinha e foi tudo bem. É muito mais comum que não te perguntem muita coisa, mas se perguntarem, o melhor é ter todas as informações à mão e preferencialmente impressas já que seu celular pode ficar sem bateria.

Celular e internet

Converse com sua operadora de celular para contratar um serviço de roaming ou saber das condições para não haver cobranças indevidas durante a viagem. Não use o roaming sem negociar com a operadora antes, os preços abusivos podem acabar com seu humor na volta pra casa. Se você for ficar muito tempo fora e quiser internet 4G existe a opção de comprar um chip pré-pago local. Na maioria dos casos, o preço é vantajoso. Neste ano passei 16 dias na Europa com um chip alemão que comprei no meu primeiro destino por 20 Euros.

Espécie

Tenha sempre moeda local em espécie com você. Em muitos lugares há regras diferentes para uso dos cartões de crédito. Na Alemanha, a maioria dos lugares para comer e beber não aceitam cartões. Na Inglaterra e na França, por exemplo, há limites de 20 euros ou libras para pagamento no cartão e estes são valores altos nestes lugares. Leve sempre um pouco de dinheiro na carteira e o restante em uma doleira – uma espécie de pochete fininha que fica por dentro da roupa.

Se você for de férias ao caribe venezuelano, leve uma mochilinha para carregar dinheiro. Um jantar pode custar 20 mil bolívares e a maior nota é a de 100 bolívares. Em contrapartida, o Uruguai não cobra IOF de brasileiros das compras de comida e bebida pagas no cartão de débito ou crédito. Então, acaba sendo mais vantajoso pagar os restaurantes uruguaios com cartão de débito.

Moedas

Em muitos países do mundo, o melhor e às vezes único jeito de pagar o transporte público é com moedas. Assim, tenha sempre bolso ou um porta-moedas com você. E mais ainda, em muitos lugares é difícil achar funcionários para te ajudar com a compra, você faz tudo sozinho em terminais eletrônicos. Lembre-se que as casas de câmbio não trocam moedas, então o que sobrar… sobrou para próxima viagem. No Equador, por exemplo, a moeda corrente é o dólar americano, mas somente as notas de papel são as mesmas dos Estados Unidos. Os níquéis são cunhados no próprio Equador e só valem naquele país.

Dólares ou Euros

Dólares ou Euros são melhores aceitos em todo o mundo para fazer câmbio. Nos países da Europa, Estados Unidos e em toda a América Latina, o real brasileiro é aceito nas casas de câmbio, mas se você for para algum país menor da Ásia ou mesmo alguns lugares do Leste Europeu, é mais vantajoso ter dólares ou euros.

Câmbio

A regra é nunca trocar dinheiro no aeroporto porque as taxas são sempre maiores. Mas se você viaja para um país que não consegue encontrar a moeda no Brasil, o melhor, é trocar apenas o suficiente para chegar ao centro da cidade, ou ao hotel e fazer uma refeição. Nos hotéis podem indicar casas de câmbio com cotações melhores e segurança. Saiba a cotação antes de sair do Brasil. E também pesquise o dinheiro, em alguns países milhões da moeda local podem valor algumas centenas de dólares.

Cartões pré-pago

Os cartões pré-pago são uma boa opção por segurança e porque você pode ir comprando dinheiro ao longo dos meses antes da sua viagem e não acumular um gasto para a volta com compras no cartão de crédito. Uma boa estratégia é ter a quantidade de viagem suficiente para a viagem no cartão pré-pago e ter um cartão de crédito por segurança. Acho importante sempre garantir que você tenha limite o suficiente para comprar uma passagem de volta ou remarcar a sua, caso alguma emergência te force a antecipar a volta. Mas não deixe de ler o item Espécie deste post e saque dinheiro do seu pré-pago para ter opções de pagamento.

Passaporte

Leve com você uma cópia xerox do seu passaporte e deixe o documento original no cofre do hotel ou em sua doleira. Tenha a cópia à mão e só use o documento original em caso de necessidade. Se por infortúnio sua mochila ou bolsa foram furtadas, o seu passaporte estará seguro.

Hotéis

Os hotéis são a forma mais tradicional e mais cômoda de hospedagem. Essa modalidade tem se tornado cada mais acessível e competitiva para concorrer com o Airbnb, por exemplo. Os grandes sites de busca de hotéis, como o Booking.com ou o Trivago são boas maneiras de encontrar preços e recomendações. Certifique-se de ver fotos do hotel e estudar a localização. Se um hotel afastado do centro da cidade tiver uma diferença de preço menor, mas o táxi para chegar na área central for caro, pode valer a pena um quarto mais próximo das atrações turísticas, ainda que valha um pouco mais. Veja as fotos, no Norte e Nordeste do Brasil há muitos quartos de hotel sem janelas e em alguns lugares, o chuveiro com água quente é opcional e pode custar mais. Muitos hotéis costumam ter o chuveiro dentro da banheira, por isso, cheque esta informação se você ou algum acompanhante tiver problemas de mobilidade.

Hostels

Os hostels são a opção mais barata de hospedagem. Há hostels de 10 euros a noite nas principais cidades da Europa, por exemplo. Mas nem sempre neste valor está incluído o café da manhã e os quartos podem ser mistos. Uma japonesa ficou bastante contrariada em Dresden quando percebeu que ia dividir um quarto de oito camas somente comigo. Por isso, leia as condições das hospedagens quando fizer as reservas. Nem todos fornecem toalhas e no nordeste, a maioria só tem banho frio.

Airbnb

O Airbnb tem sido uma ótima opção de hospedagem para viagens planejadas com alguma antecedência. De última hora, os preços podem ser parecidos com hóteis simples. O principal cuidado com o Airbnb é o horário do check in nas casas. Os anfitriões indicam nas descrições os horários em que o hóspede poderá chegar e algumas vezes são restritos porque muitos prédios não têm porteiros e o dono da casa precisa estar lá para entregar as chaves.

Seguro viagem

O seguro viagem é um item muito importante que muita gente ignoram. Estes seguros são baratos e cobrem todos os imprevistos, inclusive atraso ou extravio da bagagem. Além disso, ele é obrigatório em alguns lugares, como a Europa, por exemplo, e a imigração pode pedir pra ver o comprovante. Alguns cartões de crédito dão o seguro de graça para seus titulares, consulte as condições do seu cartão.

Fonte: Estadão

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