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Cresce demanda por viagens na América do Sul


As companhias aéreas brasileiras estão ampliando a oferta de assentos para destinos na América do Sul para atender a maior demanda por turismo interno no continente.

A mesma volatilidade cambial que encareceu as viagens de brasileiros aos Estados Unidos também atraiu ao Brasil maior volume de argentinos, chilenos e colombianos por causa do real mais fraco.

Somando os turistas da Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Colômbia, Peru, Bolívia e Venezuela, as viagens ao Brasil aumentaram de 2,9 milhões, em 2013, para 3,7 milhões em 2016, segundo estimativa do Ministério do Turismo, que ainda está fechando os dados do ano passado.

"Temos um movimento daqui para lá e de lá para cá", afirma o diretor executivo de assuntos corporativos da Gol, Alberto Fajerman. "Essa tendência vem ocorrendo especialmente depois da Copa do Mundo", disse ele.

Atualmente, a Gol opera em seis países da América do Sul - Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Suriname e Bolívia. Ano passado, a companhia ampliou frequências, como nas rotas de São Paulo para Montevidéu (Uruguai), Assunção (Paraguai) e saídas do Rio de Janeiro para Córdoba e Rosário (Argentina).


Para a alta temporada 2016/2017, a Gol está com novas opções de rotas para Santiago, com saídas do Rio de Janeiro e de Florianópolis; para Montevidéu, com voos diretos partindo de Salvador, na Bahia e aumento de oito frequências semanais nos voos com saídas do Galeão.

Para a Argentina, a Gol ainda ampliou número de voos com destino a Buenos Aires, com partidas de Florianópolis e Rio de Janeiro. "Os novos voos são para atender turistas de lá para cá principalmente", disse Fajerman.

O executivo da empresa destaca que os aeroportos na América do Sul oferecem vantagens operacionais porque estão a distâncias que podem ser atendidas pelos mesmo aviões usados no mercado doméstico brasileiro.

O fluxo de passageiros dentro do continente também tem sido alimentada pela maior demanda brasileira, diz o presidente da CVC, Luiz Falco, que responde pela maior operadora do turismo das Américas. "A crise econômica não fez com que o brasileiro deixasse de voar. Ele trocou viagens mais longas, como para os Estados Unidos ou Europa, para destinos mais próximos, na América do Sul e Caribe", disse.

A América do Norte, que respondia por mais de 40% dos pacotes vendidos para destinos internacionais na CVC até 2015, passou a representar cerca de 35% no fim de 2016. Já a comercialização de viagens para América do Sul e Caribe cresceu na mesma velocidade - de 34% para mais de 38% nesse período.

Segundo dados mais recentes do governo do Brasil, os Estados Unidos são o destino mais procurado pelos brasileiros, com cerca de 24% das viagens. Mas se somados os embarques daqui para Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Colômbia, Peru, Bolívia e Venezuela, a América do Sul representa 39% da demanda do turismo internacional do Brasil.

"Essa participação tende a crescer na medida em que muitos brasileiros experimentaram viajar para esses países e, agora, colocaram esses países como alternativa nas próximas férias", diz Fajerman, da Gol.

Segundo Falco, da CVC, é mais fácil trabalhar promoções para destinos na América do Sul que para os Estados Unidos porque os fornecedores - hotelaria, eventos, passeios - usam moedas mais baratas que o dólar.

De olho nessa maior demanda brasileira, a Azul também está ampliando a malha aérea no continente. A companhia recebeu esse mês aprovação das autoridades aeroportuárias brasileira e argentina para iniciar voos a Buenos Aires em 6 de março, com uma ligação diária que partirá de Belo Horizonte.

"Além de novas rotas, estudamos novos voos para os destinos já operados", disse o diretor de alianças, distribuição e Azul Viagens, Marcelo Bento Ribeiro.

Buenos Aires será a sétima base internacional da Azul. As demais são Fort Lauderdale/Miami, Orlando, Lisboa, Montevidéu e Caiena. Mas Já foram solicitados voos novos para América do Sul.

A Azul planeja a estreia de um voo entre Cuiabá e Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. "A previsão é que iniciemos as operações em 7 de março. Ao todo, operaremos três frequências semanais entre as cidades", disse Ribeiro.

A Latam, que tem filiais nos seis maiores mercados aéreos da América do Sul, tem usado a estratégia de aumentar a conectividade no continente por meio de hubs - terminais de conexão - que possui em grandes cidades, como Santiago, Lima e Buenos Aires, sem necessariamente abrir novas rotas partindo do Brasil.

A última rota lançada para a América do Sul a partir do Brasil foi Guarulhos-Punta del Este, em julho de 2015. Durante 2016 não lançou nenhuma nova rota para a região. Mas a decisão de manter rotas na América do Sul reflete uma aposta na região, uma vez que a empresa chegou a cortar em 30% a capacidade para os Estados Unidos ao longo de 2016.

Além disso, 19 novas rotas foram criadas pela holding em 2016 a partir de aeroportos no continente. A última, anunciada no dia 4 de janeiro, é um voo direto entre Santiago (Chile) e Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), com três ligações semanais que começam a operar em 28 de março.

Do Brasil, a Latam atende nove destinos na América do Sul fora do Brasil com voos diretos - Buenos Aires, Córdoba e Rosário, na Argentina, Montevidéu e Punta del Este, no Uruguai, além de Santiago (Chile), Lima (Peru), Assunção (Paraguai) e Bogotá (Colômbia).

Além de Gol, Azul e Latam, a Avianca, opera a rota Fortaleza-Bogotá-Fortaleza, um vez por semana, aos sábados. Mas a companhia estuda abrir novos voos ao longo deste ano.

Fonte: Valor Econômico

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