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MasterCard quer informar peso do cliente a companhias aéreas


Doze horas em classe econômica disputando o braço da poltrona com o vizinho desconhecido é incômodo.

Mas o preço do conforto pode ser permitir que um cartão de crédito rastreie suas compras de roupas para saber se você é tamanho P ou G.

Em 2015, a MasterCard solicitou patente para um sistema de armazenamento de dados de compras de roupas e sapatos para compilar as características físicas dos clientes. A informação só veio a público neste mês, divulgada por sites estrangeiros.

Ainda não há previsão de colocar a ação em prática, mas a ideia é conseguir estimar a altura e o peso dos clientes com base no tamanho dos produtos comprados.

A companhia seria capaz de reconhecer quando um mesmo cartão acumula compras para duas ou mais pessoas, no caso de uma família grande, por exemplo.

A partir daí, ela transmitiria tais dados para companhias aéreas ou outras empresas de transporte de passageiros, como ônibus ou trens.

Na prática, se as companhias aéreas quisessem tais informações, elas poderiam perguntar diretamente aos passageiros. Mas a argumentação no processo protocolado para a patente é que as pessoas tendem a não ser precisas sobre seu porte físico.

O pedido de patente não deixa claro como as empresas aéreas poderiam usar as informações, mas sugere que o objetivo seria o conforto dos passageiros: ao distribui-los no avião, as companhias poderiam usar os dados para evitar duas pessoas grandes sentadas lado a lado.

O assunto já gerou desconfiança. Recentemente, um grupo de samoanos que viajava pela Hawaiian Airlines formalizou reclamações no departamento de transportes americano após ter sido obrigado a subir em uma balança antes de entrar no voo.

Eles reclamaram porque não puderam escolher seus assentos no avião. A companhia aérea argumentou que houve um aumento na média de peso dos passageiros e por isso precisava colocá-los uniformemente na aeronave.

Procurada, a MasterCard afirmou que o projeto faz parte de uma busca por inovação para melhorar seus serviços.
 
Cabine de avião da Airbus a serviço da companhia chinesa de aviação. Foto: Pascal Pavani - 14.out.2011/AFP.

"O depósito de patentes é parte desse processo e é feito para garantir a propriedade intelectual da companhia, quer a ideia se transforme ou não em um produto ou serviço", diz a empresa em nota.

Na avaliação do especialista Bruno Bioni, uma empresa de cartão precisa pedir autorização expressa para coleta de dados dos consumidores com o objetivo de repassar a outras empresas.

"Cada dado pessoal coletado na compra no cartão tem uma finalidade específica. O endereço, por exemplo, serve para a emissão de fatura", diz Bioni, pesquisador do GPOPAI (Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação) da USP.

Fonte: Folha de S. Paulo

Um comentário:

  1. Matéria gentilmente enviada pelo leitor do AEROJOAOPESSOA, André Azevedo.

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