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Passageiros trocam avião por ônibus durante a crise

A pesquisadora Alecilda Matos ao lado do marido, Marcelo Jorge Silva, e da filha, Maria Eduarda; por questões financeiras, a família acabou optando por viajar de ônibus para passar o Natal em Palmas (TO). Foto: Robson Ventura/Folhapress.

Nascida em Palmas (TO), a pesquisadora Alecilda Matos, 36, já se acostumou a passar um dia da semana do Natal sentada entre suas malas, tentando controlar a ansiedade da filha Maria Eduarda, 4, antes da viagem para ver seus familiares.

Mas, em 2016, por questões financeiras, o ar-condicionado do aeroporto foi trocado pela rodoviária do Tietê, no Carandiru (zona norte de São Paulo).

"Sempre fui de avião com a minha filha, mas ficou muito caro. De ônibus, custa menos da metade do preço e consigo levar meu marido, que nunca anda de avião", contou Alecilda Matos. A passagem para Palmas custa R$ 346 de ônibus. De avião, o trecho custava cerca de R$ 800 em dezembro.

Alecilda, que costumava fazer o trajeto até Palmas de ônibus antes de ser mãe, diz que separou bonecas e deixou seu celular para a filha se distrair durante as 24 horas de viagem – de avião, o trajeto levaria 3h30.

A história dela é comum. A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) estima que, em 2016, a redução de passageiros em voos domésticos teria sido de 8% em relação a 2015. Segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), essa queda apontaria que quase 8 milhões de brasileiros terão deixado de voar.

E as rodoviárias estão prontas para abrigar quem quiser trocar os aviões pelos ônibus. A Socicam, administradora dos terminais Tietê, Barra Funda e Jabaquara, informa que foram disponibilizados mais de 2.100 carros extras no Natal, para dar conta dos 30 mil passageiros a mais em relação a 2015 – 632 mil pessoas passaram pelos terminais entre os dias 20 e 26 de dezembro.

Em meio à crise econômica, o preço é o principal atrativo do transporte terrestre. A berçarista Andresa Soares, 20, abdicou da viagem de 2h30 de avião para Maceió (AL), sua cidade-natal, para passar três dias dentro de um ônibus. "Fui de avião nos últimos quatro anos, pagando R$ 1.200 na passagem. De ônibus, pago cerca de R$ 500. A viagem é mais cansativa, mas não tem problema."

VIAGEM PARA BUENOS AIRES

O orçamento financeiro mais curto em 2016 fez com que a auxiliar administrativa Adriana Victor, 36, tivesse de encarar uma viagem de dois dias de ônibus com os dois filhos e o marido argentino para ver a sogra, em Buenos Aires, na Argentina.

Para compensar o trajeto mais longo, ela conseguiu achar um atrativo turístico na viagem econômica. "A passagem saiu por R$ 350 porque tem uma parada em Ciudad del Leste [Paraguai]. Vai dar para passearmos nas cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu [PR], fazer compras. Se fôssemos direto para Buenos Aires, custaria R$ 600 e mal sairíamos do ônibus", falou.

Adriana Victor viajou com a família de ônibus. Foto: Robson Ventura/Folhapress.

É a vantagem encontrada para abrir mão do avião na viagem anual à terra do marido. "Vamos para lá todo fim de ano, sempre de avião, em uma viagem de 2h40. Mas o voo está custando uns R$ 1.200", argumentou.

"Vai ser a primeira vez que vamos com as crianças de ônibus, mas já fui assim antes e gostei. A estrada é muito boa e o ônibus tem tudo que preciso: bebo cerveja, como amendoim e, principalmente, durmo."

GRATUIDADES

Brasileiros que têm abdicado do avião estão, também, descobrindo que podem viajar de ônibus até sem pagar nada. É crescente o número de gratuidades no transporte rodoviário interestadual, o que não anima tanto as empresas.

"Tivemos um substancial aumento no quantitativo de gratuidades sem contrapartida para as empresas", disse Eduardo Tude, presidente do conselho deliberativo da Abrati (Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros).

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) não possui dados atualizados para precisar o aumento nas gratuidades, mas tem usado suas redes sociais para estimular passageiros a usá-las, sempre ressaltando a necessidade de se levar documentos comprobatórios.

Até 3h antes da viagem, as empresas são obrigadas a garantir dois lugares gratuitos para idosos a partir dos 60 anos e com renda de até dois salários mínimos, outras duas vagas gratuitas para pessoas com a carteira do passe livre (fornecida pelo Ministério dos Transportes a quem tem deficiência física, mental, visual ou auditiva e renda familiar mensal per capita de até um salário mínimo) e mais duas vagas para quem tem a Identidade Jovem (direito do brasileiro de 15 a 29 anos de idade com renda familiar de até dois salários mínimos).

Fonte: Folha de S. Paulo

Um comentário:

  1. Matéria gentilmente enviada pelo leitor do AEROJOAOPESSOA, André Azevedo.

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