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Preço da passagem aérea mantém tendência de queda

Para Airlines Reporting Corporation. o preço médio dos bilhetes em 2016 atingiu o menor patamar desde 2013.

O transporte aéreo de passageiros apresentou em 2016 um movimento global predominante de queda de preços dos bilhetes e incremento de capacidade, tendência que deve prevalecer ao longo de 2017, mesmo se a tendência de alta do petróleo dos últimos meses for mantida.

É o que indicam estudos globais feitos pela empresa americana de consultoria e provedora de plataformas de gestão e distribuição Airlines Reporting Corporation (ARC) e pela Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata), que representa as 260 maiores empresas de aviação do mundo.

"Não vemos nada nos dados de curto prazo que possam sugerir uma mudança nessa tendência de queda dos preços das passagens, especialmente com o aumento da capacidade dos assentos das companhias aéreas", afirmou o vice-presidente da Airlines Reporting Corporation, Chuck Thackston. A ARC compilou dados a partir de 1,5 bilhão de bilhetes que foram comercializados por 350 companhias aéreas em 240 países.

Segundo Thackston, o preço médio dos bilhetes em 2016 atingiu o menor patamar desde 2013. Dados da Iata confirmam a tese e revelam que a média das tarifas aéreas no mundo em 2016 ficou em US$ 351, 7% menos que em 2015 e 63% abaixo dos níveis de 1995.

Levando em conta comparações baseadas no dólar, o estudo da Airlines Reporting Corporation com dados apurados entre janeiro e o fim de outubro de 2016 mostrou que na América do Norte o preço médio dos bilhetes caiu cerca de 6% este ano ante 2015 para viagens apenas de ida e cerca de 5% para viagens de ida e volta.

"Para colocar essas quedas de preço em perspectiva, um bilhete de ida e volta que custou US$ 472 em 2015 cedeu a US$ 450 em 2016, disse Thackston.

A maior diminuição de valor foi na África, com retração de 11% para bilhetes de ida e volta, e de 14% para rotas só de ida.

Na América Latina, o valor médio caiu 3% nas rotas só de ida e cerca de 4,5% nos voos de ida e volta. Mas o mercado latino-americano teve uma retração mais forte nos preços das passagens quando apurados os valores praticados nos voos intercontinentais.

Nas rotas que ligam a América Latina a destinos além do Atlântico ou do Pacífico, o preço médio das passagens caiu até 31% - caso das rotas para o Sudeste da Ásia. Para os Estados Unidos, o tíquete médio ficou 5% mais baixo que em 2015.

Segundo a Iata, a retração dos preços das passagens foi alimentada pela menor cotação média do petróleo e pelo câmbio.

O barril mais barato reduziu os custos das empresas aéreas, uma vez que esse insumo responde historicamente por cerca de um quarto das despesas operacionais de cada voo, mas em 2016 representou menos de 17% dos gastos do setor.

Já o dólar mais forte ante outras moedas latino-americanas, europeias e asiáticas acabou levando as empresas aéreas a praticarem descontos maiores para não afugentar os passageiros.

Segundo a Iata, os preços do combustível - querosene de aviação - devem subir de US$ 52,10 por barril em 2016 para US$ 64,90 barril em 2017. "O combustível deve representar 18,7% da estrutura de custos da indústria em 2017, o que ainda está significativamente abaixo do pico recente de 33,2% em 2012 e 2013", informou o economista-chefe da entidade, Brian Pearce.

A Iata pondera que este ano o petróleo deve voltar a subir, como ocorreu nos últimos dois meses de 2016, e tirar fôlego dessa tendência de corte dos preços das passagens aéreas. Mas ainda assim, o patamar de preços do petróleo seguirá suficiente para estimular o aumento de capacidade por parte das companhias aéreas.

Segundo a Iata, depois de aumentar a oferta de assentos em 6,2% em 2016, o setor aéreo vai ampliar novamente a disponibilidade em mais 5,6% no ano que vem.

Com os preços das passagens em queda, a demanda global pelo transporte aéreo seguirá em crescimento, aponta a Iata, que prevê incremento de 5,1% no indicador em 2017 ante 2016.

As empresas aéreas devem operar 38,4 milhões de voos em 2017, subindo 4,9% ante 2016. "A conectividade continua a estabelecer novos recordes. Prevemos quase 4 bilhões de viajantes ano que vem", disse o presidente da Iata, Alexandre de Juniac. A entidade prevê que a indústria do transporte aéreo deve apurar lucro líquido de US$ 29,8 bilhões em 2017 para uma receita total de US$ 736 bilhões, ou seja, margem líquida de 4,1%.

Na América Latina, a aviação vai registrar em 2017 oferta 4,8% maior que a de 2016, com a demanda avançando 4%, apesar da expectativa ainda pessimista para o Brasil, onde a capacidade deve se manter estável, após cortes no ano passado, por conta da recessão econômica.

Fonte: Valor Econômico

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