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De olho na Anac, companhias de táxi aéreo planejam investimento

Rui Aquino, da Two Flex Taxi Aéreo, planeja investir US$ 18 milhões e ampliar a frota para 30 aviões e atender 30 cidades.

A aviação regional no Brasil pode ganhar um impulso ainda este ano independentemente de aportes públicos em aeroportos ou subsídios a grandes companhias aéreas nacionais.

Segundo executivos do setor, se a Agência Nacional de Aviação (Anac) aprovar o texto que amplia a atuação do táxi aéreo no país, dezenas de cidades hoje não atendidas pela aviação regular terão novas conexões com os principais aeroportos do país.

"Hoje podemos criar imediatamente voos para atender 30 cidades que não possuem atualmente linhas regulares. Se a Anac mudar as regras, vamos investir US$ 18 milhões e aumentar nossa frota de 18 para 30 aviões", disse o presidente da Two Flex Táxi Aéreo, Rui Aquino, sócio da empresa que transportou 7 mil pessoas e 6,7 mil toneladas de carga em 2016, faturando R$ 52 milhões, 12% mais que em 2015.

A mudança esperada pelo executivo está relacionada à consulta pública que a Anac lançou em março do ano passado. O texto propõe conceder mais rotas às Ligações Aéreas Sistemáticas (LAS). A sigla batiza pequenas companhias aéreas não regulares que operam voos entre cidades não atendidas pelas companhias nacionais regulares.

Hoje, a empresa que atua como LAS não pode fazer mais que 15 frequências semanais. "Ter apenas 15 frequências inviabiliza um investimento porque com esse limite eu mal sirvo uma cidade", diz o presidente da Two Flex, que tem a maior frota de Cessna Gran Caravan do país. Este avião transporta até 13 pessoas.

Estão registradas na Anac hoje 120 empresas de táxi aéreo. Qualquer uma delas poderá pedir para atuar como LAS, após definidas as regras de operação nesse modelo de negócio.

"Nosso plano é criar demanda para grandes companhia aéreas, conectando cidades hoje não atendidas a centros onde operam companhias aéreas nacionais", disse Aquino. "Não queremos ser competidores, mas parceiros dessas aéreas", disse.

Nos Estados Unidos, as grandes companhias aéreas nacionais American Airlines, Delta Air Lines e United Airlines têm acordos comerciais com operadores regionais, que utilizam aviões menores - turboélices ou pequenos jatos - que atuam como alimentadores dos terminais de conexão maiores, os "feeders", que não têm limites de frequências semanais que podem fazer.

Este deve ser o plano da Anac para o Brasil, liberando o mercado de voos regionais para as LAS, sem limites de frequências. O Valor apurou que a nova regra deve ser publicada ainda este semestre.

A Líder Táxi Aéreo, que fatura R$ 1 bilhão com venda e manutenção de aviões, taxi aéreo e atendimento aeroportuário, também quer esse mercado. "A aviação de táxi aéreo poderá ter a chance de vender assentos ociosos em traslados de aeronaves, ou em trechos onde a demanda da aviação regular não for suficiente", diz a superintendente da empresa, Júnia Hermont.

O modelo em que companhias menores alimentam as malhas das companhias maiores já está no radar da Gol. "A Gol tem todo interesse nesse modelo. Há algumas empresas com as quais podemos fazer parcerias", disse o diretor de assuntos institucionais da Gol, Alberto Fajerman.

Segundo ele, dezenas de cidades no Brasil têm aeroportos sem estrutura nem demanda suficientes para atender os aviões da Gol - modelos Boeing 737-800, com mais de 130 lugares. Mas são destinos que apresentam demanda e terminais capazes de remunerar voos de aviões menores, como os Caravan, da Two Flex. "Para a Gol voar para essas cidades, o caminho seria ter parcerias com as LAS", diz Fajerman.

"Esse modelo é um caminho mais rápido e eficiente para ampliar o alcance da aviação no país que um projeto de aviação regional sustentado por subsídios", diz o diretor da Gol, fazendo referência ao programa de aviação regional que desde 2013, o governo federal tenta por de pé.

Inicialmente, a meta do governo, na gestão de Dilma Rousseff, era levar o modal aéreo a um raio de pelo menos 100 km de todas as cidades com mais de um 200 mil habitantes, por meio de investimentos de R$ 7,4 bilhões em reformas de 270 aeroportos e subsídios às companhias aéreas que criarem voos a destinos de baixa demanda.

Após quase quatro anos, o programa federal foi enxugado para um orçamento de R$ 300 milhões, com foco em 58 terminais e subsídios com desembolsos médios de R$ 1,2 milhão por cada ligação aérea. No texto que o Executivo deve enviar ao Congresso, as subvenções valerão para até 60 assentos por voo.

A Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), que representa as companhias nacionais Gol, Latam, Azul e Avianca, disse que é "sempre favorável a medidas que ajudem a ampliar a presença da aviação em todo o país". Mas a entidade alerta para a necessidade de os agentes públicos e privados olharem fatores como segurança. "Todo o sistema deva compartilhar das mesmas exigências de segurança operacional existentes na aviação comercial regular", diz a Abear.

Gol e Latam, que têm frotas de aeronaves de modelos maiores, são mais enfáticas na defesa da aviação regional sem subsídios e, portanto, simpáticas à entrada das LAS no mercado.

Já a Azul, que ainda utiliza alguns modelos de aviões menores - como os ATR, turboélices com menos de 50 assentos, ou os Embraer, com menos de 100 assentos -, tem se posicionado contra o pacote da Anac para as LAS, apurou o Valor.

Procurada, a Azul não quis falar sobre o assunto. A Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), que representa a maior parte dos 120 taxis aéreos do país, não quis se posicionar também.

Fonte: Valor Econômico

3 comentários:

  1. Que horror de reportagem. Erros grosseiros, o Cessna Caravan transporta 9 (nove) passageiros e dois pilotos, e não 13 (treze) passageiros. Boeing B737-300 de 130 lugares, quando na realidade transporta 189 passageiros. ATR, acredito que a referencia seja o da Azul que transporta 70 e não menos de 50 como informado. Quanta falta de informação técnica correta!Lamentável!! Mas a proposta LAS é fantástica, é o que eu vinha chamando de MICROREGIONAIS, e o governo deveria rever e incentivar essa modalidade, assim como, a aviação na Amazônia, o modelo tradicional deve compartilhar o mercado com a aviação ANFÍBIA, principalmente em um região que concentra a maior quantidades de rios do mundo. Acredito também que os aeroportos regionais que operam aeronaves até 37 passageiros não necessitariam de carro de bombeiros, o que viabilizaria muitos aeroportos para operação imediata. Saudações,

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  2. Bom.... houve um tempo no Brasil, na epoca do entao DAC quando o Grand Caravan foi permitido a transportar 12PAX mais os 02pilotos. Depois foi alterado para 09Pax.
    Sobre o B737-300, a configuracao maxima de Pax projetada pelo Fabricante(Boeing) foi/é de 149Pax em classe unica.

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