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Oferta de voos entre Estados Unidos e Brasil encolhe 29%

Dilson Verçosa, da American Airlines no Brasil, cortou a oferta de voos semanais de 116 para 74: "O mercado mudou".

A quantidade de voos oferecidos pelas cinco companhias aéreas que respondem por mais de 90% da oferta das rotas ligando o Brasil aos Estados Unidos encolheu 29% ano passado, na segunda temporada de retração - tendência que só deve perder força em 2017 se a economia iniciar recuperação consistente e se a regulação for flexibilizada para estimular a demanda, apontam executivos dessas empresas.

O número de voos semanais ofertados por American Airlines, Delta Air Lines, United Airlines, Latam e Copa, entre Brasil e EUA, caiu de 277, em janeiro de 2016, para 197 neste ano. O pico foi batido em janeiro de 2015, com 303 voos. Os executivos do setor afirmam que as empresas tiveram que ajustar a oferta à demanda menor e preservar a rentabilidade da operação.

"O mercado mudou. Há dois anos, eu conseguia projetar a demanda dos primeiros meses do ano a partir dos dados de janeiro. Hoje não consigo fazer isso", disse o diretor regional de vendas da American Airlines no Brasil, Dilson Verçosa.

Ao longo do ano passado, a American cortou a oferta de voos - de um pico de 116 frequências semanais para 74. Em 2016, a América Latina representou 13,8% da oferta total da companhia de assentos-milhas disponíveis (ASM, indicador de capacidade mais usado pela indústria da aviação civil comercial no mundo). Um ano antes, a região representava 14,8%.

Enquanto o mercado latino-americano encolheu na American Airlines, a região do Pacífico ganhou 29,6% mais assentos por milhas na companhia. Em termos de demanda, a participação latino-americana no balanço da American caiu 4,1% em 2016.

Com o enxugamento da oferta, as tarifas se recuperaram, disse Verçosa. Promoções que eram feitas para a classe executiva por exemplo, estão mais raras.

"O ambiente macroeconômico no Brasil ainda permanece frágil", afirmou o diretor de vendas da Delta Air Lines para o Brasil, Luiz Henrique Teixeira. "A demanda pode se recuperar se a atividade econômica confirmar reação", apontou.

Para a United Airlines, que tem hoje 28 voos semanais para o Brasil - ante 35 um ano atrás -, a reação do mercado brasileiro é fundamental. "O Brasil é nosso maior mercado na América Latina e, por isso, chave na nossa rede global de rotas", disse a diretora da United no Brasil, Lucimar Reis.

Já segundo a Latam, há sinais de recuperação, mas o cenário segue bastante incerto, afirmou a companhia por nota, que cortou pela metade a oferta de voos diretos entre o Brasil e os Estados Unidos ao longo do ano passado.

A liberação de visto para cidadãos americanos durante os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, no ano passado, serviu para demonstrar que há demanda reprimida. Historicamente, os brasileiros representam 70% e os americanos 30% das passagens vendidas para voos entre Brasil e EUA. Mas no ano passado, os bilhetes vendidos a americanos representaram 47%.

O ministro do Turismo, Marx Beltrão, defendeu há poucos dias, a dispensa de vistos para o que ele chamou de países estratégicos - Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália.

O diretor da American Airlines disse esperar também para este ano a validação do acordo de "céus abertos" entre os governos do Brasília e Washington, por meio do qual as companhias aéreas americanas e brasileiras poderão iniciar ou encerrar rotas, sem limitação de voos.

Atualmente, há um número máximo de frequências que o conjunto das companhias aéreas americanas pode ter para o Brasil e vice-versa, além de outras limitações. Por exemplo, uma empresa só pode criar uma rota extra na alta estação entre dois destinos se já estiver operando essa rota ao longo do ano.

Verçosa acredita que a aprovação do "céus abertos" vai abrir oportunidades para novas parcerias internacionais entre as companhias, como o acordo assinado em janeiro de 2016 entre a American Airlines e a Latam, por meio do qual os dois grupos operam de forma conjunta rotas entre a América Latina e os Estados Unidos, dividindo custos e lucros.

O acordo com a Latam ainda aguarda aprovação dos órgãos reguladores do Brasil, dos Estados Unidos e do Chile. "Essa é uma tendência em todo o mundo", afirmou.

Fonte: Valor Econômico

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