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Aéreas devem retomar voos ao Brasil e depois avaliar investimento direto

Spohr, presidente da Lufthansa: para investir em empresas, foco é a Europa.

Companhias aéreas internacionais veem uma boa sinalização do Brasil ao permitir que o capital estrangeiro tenha o controle de 100% de aéreas nacionais, mas demonstram pouco apetite no momento em investir no país.

No curto e médio prazos, o plano é gradualmente retomar frequências de voos para o país, em vez de injetar capital em companhias locais.

A expectativa é de que o interesse externo vai se manifestar cedo ou tarde, pois 40% do mercado aéreo da América Latina está no Brasil e o potencial de crescimento é elevado.

O cenário foi traçado ao Valor por executivos que estiveram em Frankfurt no fim de semana, participando da comemoração dos 20 anos da Star Alliance, uma rede global de companhias aéreas.

O presidente da Lufthansa, Carsten Spohr, disse que investimentos da companhia alemã "em aéreas estão focados na Europa no momento", apesar de reconhecer o potencial do Brasil como "de longe o mais importante mercado da América Latina".

Para o CEO da Air Canadá, Calin Rovinescu, injetar capital em aéreas brasileiras "poderá ser interessante para vários investidores dos Estados Unidos". De seu lado, diz que o plano canadense é "comprar (mais) aviões e não pensamos em comprar companhia no Brasil".

Pedro Heilbron, CEO da Copa, maior aérea da América Central, disse que a liberalização anunciada pelo governo Temer vai "sem dúvida atrair capital externo" se a recuperação econômica seguir seu ritmo. Mas seu interesse "não é de compra e sim aliança comercial com companhias aéreas no Brasil".

Para o presidente da Star Alliance, Jeffrey Goh, as condições estão criadas para capital externo ir para o Brasil, "mas investir no negócio de transporte aéreo não é fácil. Há muita capacidade e é uma decisão a ser tomada com muito cuidado", ponderou. Segundo Goh, países como a Austrália autorizaram o controle externo de 100% nas companhias domésticas, com bom resultado. "Acredito que no Brasil também poderá ajudar o setor aéreo nacional, que passa por momentos desafiadores depois desses anos de recessão", disse.

Ex-CEO da Star Alliance, Mark Schwab, que começou sua carreira na aviação em 1975 com a Pan American no Rio de Janeiro e depois trabalhou na United, US Airways e American Airlines, vê uma lógica em eventual interesse das americanas por empresas brasileiras. "O movimento entre o Brasil e os EUA é grande e as aéreas dos EUA têm capital disponível para investir no mercado brasileiro", avalia. Nota que a United tem pequena percentagem na Azul e a Delta na Gol, o que cria oportunidade para a American, por exemplo, seguir na mesma direção.

Para Schwab, uma tendência, em redes como a Star Alliance, é de injeção de capital entre as companhias membros para "abrir mais portas e ter mais controle sobre as decisões estratégicas". Exemplifica com o caso na Europa da Lufthansa, dona hoje da Swiss, da Austrian Airlines e da Brussels Airlines, também membros da Star Alliance.

Para Fernando Pinto, presidente da TAP, a companhia aérea portuguesa, executivos da aviação internacional estão "cautelosos" em relação ao Brasil no rastro da recessão e das turbulências políticas. "As rotas para o Brasil voltaram a melhorar desde o começo do ano e, no nosso caso, esperamos até o final do ano ter o mesmo nível de frequência que tínhamos em 2015", afirmou.

A Copa diz ter cortado 25% de capacidade para o Brasil e espera nos próximos dois anos recuperar o espaço perdido no mercado. Já a Etiopia Airlines, que começou a voar para o Brasil "num momento de baixa da demanda", agora vê melhora suficiente para aumentar de três para quatro os voos semanais entre Adis Abeba e São Paulo a partir de junho, diz seu presidente, Tewolde Gebremariam. O voo faz escala em Lomé, capital do Togo, por razões técnicas do Boeing 787. Segundo o executivo, o tráfego aéreo aumentou entre Ásia e São Paulo, e sua companhia oferece conexão para China e Japão.

A Air Canadá, que suspendeu o voo para o Rio de Janeiro, quer agora aumentar a frequência para São Paulo, onde acha que as conexões funcionam bem.

A Air China diz ter planos de aumentar sua frequência para a capital paulista no futuro.

A Air India colocou o Brasil no radar para abrir uma rota, mas uma decisão não virá antes de três anos, segundo Pankaj Srivastava, diretor comercial e membro do conselho de administração da estatal indiana.

Fonte: Valor Econômico

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