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Aéreas veem cenário menos turbulento na América do Sul


Os resultados no primeiro trimestre deste ano das quatro maiores companhias aéreas da América do Sul - Gol, Latam, Azul e Avianca Holdings - apontam que a aviação na região atravessou o pior da turbulência que afeta o setor desde 2015.

Mas executivos do setor dizem que a demanda ainda não se mostra forte o bastante para afastar risco de recaídas.

"Tivemos uma recuperação no primeiro trimestre deste ano. Mas vale lembrar que estamos comparando com o primeiro trimestre do ano passado, que foi o ponto mais baixo na crise", disse ontem Roberto Alvo, vice-presidente comercial da Latam Airlines - resultado da fusão entre a chilena LAN e a brasileira TAM.

O presidente da Latam Brasil Linhas Aéreas, Jerome Cadier, disse que a venda para viajantes de negócios ainda segue frágil, variável que precisa reagir para que a aviação no Brasil tenha recuperação mais firme. O Brasil representa 26% do tráfego de passageiros da companhia.

Ambos admitiram, entretanto, que a procura por voos domésticos e internacionais a partir de Brasil tem reagido. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o tráfego de passageiros no Brasil cresceu 5,4% em março deste ano ante igual mês de 2016, após 19 meses seguidos de retração. Mas em 12 meses, o setor ainda acumula queda de 4,4% no tráfego.


A Latam fechou o primeiro trimestre com a receita crescendo 6,4%, atingindo US$ 2,5 bilhões, puxada pelas vendas para passageiros, que aumentaram 7,6%. O lucro líquido, de US$ 65,6 milhões, caiu 35,9% ante um ano antes.

O yield - quanto cada passageiro paga para voar um quilômetro - do grupo chileno subiu 7%, puxado pelo incremento de 24,6% na receita por passageiro no Brasil, em dólar. Mas esse indicador foi inflado pela alta, de 19% do real, ante a divisa americana.

A Latam sofreu com o barril de petróleo mais caro, que subiu quase 50% no primeiro trimestre e aumentou em 29% as despesas com combustíveis, o que ampliou em 10% as despesas operacionais totais. Esse fator corroeu o lucro operacional, que caiu 30,5%.

Enquanto Gol e Azul geram no Brasil mais de 85% de suas receitas, a colombiana Avianca Holdings não tem negócios no mercado brasileiro. A empresa é controlada pelos irmãos German e José Efromovich, também donos da Avianca Brasil, que não divulga balanços trimestrais. No ano passado, a Avianca Brasil, a quarta maior companhia aérea do país, registrou prejuízo líquido de R$ 71,403 milhões, perda quase seis vezes maior que a apurada em 2015, de R$ 12,407 milhões. Na mesma base de comparação, a receita operacional líquida cresceu 12,7%, para R$ 2,955 bilhões.

Embora atuem em áreas geográficas diferentes e consolidem dados em moedas diferentes - Latam a Avianca Holdings apresentam balanços em dólares, enquanto Gol e Azul reportam dados em reais -, as quatro aéreas entregaram lucro líquido e margens operacionais positivas no trimestre. Já os indicadores de receita tiveram comportamentos divergentes, reflexo de uma demanda ainda frágil.

A Avianca Holdings, que aumentou em 6,2% a receita no primeiro trimestre deste ano, para US$ 1,1 bilhão, viu o lucro operacional ceder 5%, ao gastar 36% mais em combustíveis e elevar as despesas em 7,1%.

O lucro líquido da Avianca de janeiro a março deste ano, de US$ 20,5 milhões, foi quase seis vezes maior que os US$ 3,2 milhões um ano antes. Mas esse ganho foi inflado por causa da base de comparação - um ano antes, houve perda cambial que não se repetiu em 2017. Sem esses efeitos, o ganho líquido teria crescido 19%.

"Incertezas relacionadas à política dos Estados Unidos e à economia da América Latina diminuíram", disse o presidente da Avianca, Hernán Rincón, que ponderou a necessidade de buscar uma melhora do yield, que caiu 1% no primeiro trimestre.

A Azul conseguiu aumentar o yield no primeiro trimestre, mas em apenas 1,2%. "Temos uma vantagem competitiva porque não temos concorrentes na maior parte de nossas rotas. Podemos aumentar capacidade sem perder margem", disse o presidente do conselho e controlador da Azul, David Neeleman.

A companhia, que teve lucro de R$ 55,3 milhões no primeiro trimestre deste ano ante perda de R$ 66,9 milhões um ano antes, não tem concorrentes em 72% das rotas que realiza, o que ajudou a Azul a obter uma margem de lucro operacional de 11%, ante apenas 0,4% um ano antes.

Já a Gol, que enfrenta a concorrência Latam Brasil na maior parte dos voos que realiza, não conseguiu preservar o yield, que caiu 6,5% no primeiro trimestre deste ano, enquanto a receita, diminuiu 2,5%, para R$ 2,6 bilhões.

O presidente da Gol, Paulo Kakinoff, afirmou no dia de divulgação de balanço da companhia, em 10 de maio, que as vendas de passagens em 2017 até agora apontam reação da demanda, mas ponderou que os sinais ainda são frágeis para apostar em retomada sustentável.

Fonte: Valor Econômico

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