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Ministro do Turismo destaca potencial turístico da Paraíba


O ministro do Turismo, Marx Beltrão, irá participar do painel sobre “O turismo e o comércio viajam juntos”, nesta sexta-feira (26) no último dia do 33º Congresso Nacional dos Sindicatos Empresariais do Comércio de Bens Serviços e Turismo, que está sendo realizado no Centro de Convenções de João Pessoa desde quarta-feira (24).

Beltrão afirmou que está mantendo contato com a equipe econômica do Governo Federal no sentido de tentar reverter o corte de 67,96% referente às despesas da Pasta no Orçamento da União, um dos maiores de todos os ministérios.

“Temos trabalhado no sentido de sensibilizar as áreas econômicas das diversas esferas de governo para o turismo como alavanca econômica. Estive recentemente conversando com a equipe econômica e tive a sinalização de que o orçamento será reposto. Recomendo que governos e municípios com vocações turísticas façam o mesmo”, apontou o ministro.

De acordo com Beltrão, o Brasil investe muito pouco em divulgação no exterior na busca de atrair turistas estrangeiros. Segundo ele, no ano passado, foram investidos menos de US$ 20 milhões em promoção, enquanto países concorrentes como a Argentina investiu US$ 60 milhões, a Colômbia US$ 90 milhões, Equador US$ 100 milhões e o México US$ 490 milhões.

Em entrevista exclusiva ao Correio da Paraíba, Marx Beltrão disse que a Paraíba tem um grande potencial de crescimento no setor, no entanto, precisa investir mais na divulgação e capacitação da mão de obra. “Acredito muito no potencial turístico paraibano. As belezas naturais, a cultura forte, com um povo extremamente acolhedor são diferenciais difíceis de serem encontrados em qualquer parte do mundo. Não adianta, no entanto, ter todos esses atrativos se eles não forem trabalhados corretamente.”

Na palestra desta sexta-feira (26), o ministro terá como debatedores o secretário de Turismo e Desenvolvimento Economia da Paraíba, Lindolfo Pires, e a presidente da PBTur (Empresa Paraibana de Turismo), Ruth Avelino; e o coordenador Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação.

Correio da Paraíba: A crise política brasileira pode interferir no desejo dos turistas estrangeiros virem para cá? De que forma e como buscar meios de evitar que isso ocorra ou se agrave?

Os principais mercados emissores de turistas do mundo já passaram por grandes turbulências políticas e econômicas. Compreendem que esse tipo de movimento é natural em países democráticos como o Brasil. Conseguimos demonstrar que temos instituições sólidas e preparadas para lidar com situações de crise. Isso é o mais importante. Os destinos mais movimentados no mundo enfrentam problemas até mais graves que o nosso, como o terrorismo, e nem por isso deixam de receber turistas. Por tudo isso, não acredito que as intercorrências da política possam interferir na vinda de turistas estrangeiros para o Brasil.

CP: O Brasil tem sido um dos destinos mais buscados pelos estrangeiros, mas está muito distante de outros destinos, talvez, nem tão bem estruturado. Por que isso ocorre? E como fazer com que o país seja mais atraente?

Realmente a quantidade de turistas internacionais que o Brasil recebe é muito pequena perto do nosso potencial e da movimentação turística mundial. Recebemos cerca de meio por cento dos turistas que viajam pelo mundo ou menos de 10% do que recebem os principais destinos, como a Espanha. Isso ocorre, em parte, pela nossa localização geográfica, uma vez que 80% do turismo internacional é realizado entre países fronteiriços. Mas a localização geográfica não pode servir de desculpa para nos acomodar. Por isso lançamos o Brasil + Turismo, um pacote que, entre outras ações reforça a promoção internacional e amplia a conectividade aérea. No último ano, investimentos menos de US$ 20 milhões na divulgação dos nossos destinos no mundo. Os nossos concorrentes diretos como Argentina, Colômbia, Equador e México investiram respectivamente US$ 60 milhões, US$ 90 milhões, US$ 100 milhões e US$ 490 milhões. Temos de ser mais agressivos. Com a reformulação da Embratur e a abertura de capital das companhias aéreas, ambas as medidas em trâmite no Congresso Nacional, abrimos a perspectiva de fechar parcerias com a iniciativa privada para divulgar o nosso país no mundo e aumentar o número de rotas e voos no país. A meta é promover um salto dos atuais 6,6 milhões para 12 milhões de turistas internacionais, além de ampliar o número de viagens nacionais.

CP: O Nordeste, apesar de ser um grande atrativo para os estrangeiros e mesmo para os brasileiros do Sul e Sudeste do país continua com uma malha aérea muito deficitária. O senhor acredita que a abertura do mercado de aviação civil para estrangeiros seria o suficiente para mudar isso? Baixaria os preços das passagens?

A abertura total das aéreas ao capital estrangeiro é muito importante para melhorar a nossa conectividade aérea e baixar os custos do turismo no Brasil na medida em que ela estimula a concorrência. Mas concordo que não é suficiente e, por isso, estamos trabalhando em outras frentes como a redução do ICMS no querosene da aviação e a reforma trabalhista que impacta positivamente nos custos operacionais.

CP: Os cortes do orçamento da Pasta têm sido uma tendência dos governos, sejam municipais, estaduais ou federal. Por que isso ainda ocorre, já que é comprovado que o turismo é um dos vetores que mais trazem empregos e renda?

Esta é uma distorção que realmente ocorre e temos trabalhado no sentido de sensibilizar as áreas econômicas das diversas esferas de governo para o turismo como alavanca econômica. Estive recentemente conversando com a equipe econômica do governo federal e tive a sinalização de que o orçamento será reposto. Recomendo que governos e municípios com vocações turísticas façam o mesmo.

CP: O ministério quer reduzir ainda mais o mapa turístico. Por que? Não seria melhor criar meios para que as cidades criassem políticas de desenvolvimento da atividade turística?

Não queremos diminuir, queremos mapear quais as cidades que realmente são vocacionadas para o turismo para que possamos direcionar nossas políticas e recursos de forma mais coerente e eficaz. No último ano houve de fato a redução do Mapa do Turismo Brasileiro e, por isso, uma das medidas do Brasil + Turismo é a reformulação periódica do mapa. É importante que estados e municípios se mobilizem para detectar de fato os municípios turísticos, com potencial ou impactados pelas atividades turísticas para corrigirmos eventuais distorções e darmos condições para as cidades desenvolveram todo o seu potencial, gerarem emprego e renda.

CP: A Paraíba tem sido um destino onde sempre se diz que será a "bola da vez". O senhor tem a mesma opinião e por que então ainda não deslanchou tanto quanto outros destinos do Nordeste?

Acredito muito no potencial turístico paraibano. As belezas naturais, a cultura forte, com um povo extremamente acolhedor são diferenciais difíceis de serem encontrados em qualquer parte do mundo. Não adianta, no entanto, ter todos esses atrativos se eles não forem trabalhados corretamente. Acredito que qualificação profissional, estruturação e promoção são fundamentais para melhor aproveitar o potencial dos destinos. Esses temas serão tratados no evento realizado neste final de semana pela Confederação Nacional do Comercio, do qual eu vou participar. Vamos discutir aqui caminhos para ajudar a Paraíba a encontrar o melhor caminho para transformar todos os seus encantos em emprego e renda.

CP: Quando e como será a mudança da Embratur para Agência de Turismo? Esse modelo do Sebrae teria a mesma eficiência? As atividades do Sebrae não são diferentes das Embratur?

A modernização da Embratur é fundamental para conseguirmos reforçar a promoção internacional, com um modelo mais ágil de gestão. Por meio de parcerias com a iniciativa privada vamos conseguir otimizar os nossos recursos e atrair os turistas internacionais de maneira mais efetiva. O projeto de lei que prevê está mudança está tramitando em regime de urgência no Congresso Nacional. Esperamos conseguir aprovar essa medida o mais rápido possível.

CP: O senhor pretende estar em Campina Grande no São João?

Sim, pretendo participar deste que é um evento muito importante para o país, não só do ponto de vista turístico, mas também pelo forte impacto na economia da região. Importante informar que o Ministério do Turismo realizou uma chamada pública com o objetivo de selecionar municípios que receberão apoio para promover seus festejos juninos. Campina Grande foi um dos cinco festejos selecionados e vamos apoiar a cidade na divulgação desse roteiro. Além da produção de vídeo institucional sobre a festa e a transmissão do evento pelas nossas redes sociais, o Ministério do Turismo irá organizar uma presstrips para levar jornalistas e blogueiros para conhecer e divulgar o grande São João de Campina Grande.

CP: Qual a sua opinião sobre o investimento que a Paraíba está fazendo junto com a Gol com o primeiro voo direto entre Buenos Aires e João Pessoa, que passará a ser operado todos os sábados a partir do dia 1º de julho? 

Como falei anteriormente, 80% do turismo internacional é realizado entre países fronteiriços. Para isso, é preciso investir em conectividade aérea para atrair cada vez mais nossos vizinhos para conhecer o Brasil. Os argentinos já são os turistas que mais visitam nosso país, mas o grande fluxo acaba ficando ali pelas regiões sul e sudeste. A ideia agora é diversificar a oferta e atraí-los também para a região Nordeste, para conhecer nossas lindas praias, nossa cultura e gastronomia.

Fonte: Turismo em Foco

Um comentário:

  1. A Paraíba inteira tem muita coisa para ser apresentado ao mundo em diversas aéreas onde um trabalho voltado para melhor qualificação da mão-de-obra em todos os setores fará com que alcancemos potenciais incríveis.

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