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Gol fatura mais com frota menor

Paulo Kakinoff, presidente da Gol: “Esperamos um comportamento de mercado de reação no segundo semestre”.

No segundo trimestre, considerado o mais fraco do ano pelas companhias aéreas pois fica entre o Carnaval e as férias escolares de julho, a Gol mostrou resultados operacionais positivos, controlou custos e faturou mais com uma frota menor.

Os investidores relevaram o prejuízo de R$ 475 milhões e as ações da companhia fecharam em alta de 6,3%, para R$ 10,48.

O mercado aceitou as explicações da companhia, segundo a qual o prejuízo ocorreu por um efeito cambial, provocado pela alta de 3% do dólar ante o real no balanço da empresa. No segundo trimestre do ano passado, o câmbio teve efeito contrário e proporcionou ganhos extraordinários de R$ 779 milhões, levando a um lucro de R$ 253 milhões.

Neste trimestre de 2017, o efeito do câmbio gerou perdas de R$ 226 milhões, e um prejuízo contábil de R$ 475 milhões, sem efeito caixa, informou a Gol.

O impacto do câmbio, no ano, está dentro do esperado pela companhia e o efeito negativo tenderia a não se repetir pois há um entendimento de que "o câmbio volta", comentou uma fonte ao Valor.

No lado operacional, a Gol ampliou a receita por avião. A frota diminuiu de 120 para 116 aeronaves entre o segundo trimestre de 2016 e mesmo período de 2017. Mas o número de horas voadas por dia cresceu 4,8%. O valor médio pago por passageiro por quilômetro voado (yield) subiu 4,8%.

Assim, a receita líquida da Gol cresceu 7%, a R$ 2,23 bilhões, apesar de a companhia ter cortado em 3% a oferta de assentos. Já os custos e despesas operacionais recuaram 2,3%, a R$ 2,21 bilhões.

O presidente da Gol, Paulo Kakinoff, disse ontem que trabalha com um cenário de melhor demanda no segundo semestre. "Esperamos um comportamento de mercado de reação no segundo semestre", disse ele, em uma teleconferência a analistas, quando perguntado sobre a tendência para tarifas e receita por passageiro.

Segundo ele, a venda para os passageiros que viajam a negócios deve ganhar força, na medida em que a atividade econômica ganhar tração.

Outro dado que animou o mercado foi a geração de caixa, positiva em R$ 504 milhões. O vice-presidente financeiro da empresa, Richard Lark, afirmou que o cenário para este segundo semestre leva em conta a manutenção dessa tendência. A Gol fechou junho com R$ 1,8 bilhão disponíveis em caixa.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida) foi de R$ 156 milhões - uma recuperação em relação ao Ebtida negativo de R$ 40 milhões do segundo trimestre de 2016. A margem Ebtida ficou em 7%.

O comando da companhia também chamou atenção para o lucro operacional (lucro antes de juros e impostos, Ebit) recorrente ter ficado em R$ 37 milhões, com uma margem operacional de 2%. Este resultado positivo em um segundo trimestre não ocorria em base recorrente desde 2010.

Lark disse ainda que a Gol vai ter um ritmo de investimento mais forte em 2019. Até lá, o valor investido ao ano deve ficar em torno de R$ 600 milhões. "A partir de 2019, com o ciclo de entregas dos Max [nova geração de aviões Boeing 737] o ciclo de investimento ganha força", disse ele, na teleconferência sobre os resultados. No segundo trimestre deste ano, a Gol registrou investimentos de R$ 205,8 milhões, principalmente relacionados a motores de aviões.

A Gol tem encomenda com a Boeing para 120 aviões modelos 737-Max, para renovação de toda a frota até 2028, com investimentos da ordem de R$ 46 bilhões ao câmbio atual. A primeira unidade será entregue pela Boeing em julho de 2018. O plano da Gol é fechar 2017 com 115 aviões em operação, passando a 121 em 2018, depois a 124 em 2019.

A dívida líquida ajustada (considerando as operações de leasing dos aviões) está em R$ 10,9 bilhões - R$ 100 milhões a mais do que no primeiro trimestre deste ano. Sem o leasing, a dívida é de R$ 4,9 bilhões.

Fonte: Valor Econômico

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