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Turbulência severa representa ameça invisível mesmo em voo tranquilo


Em muitos voos, os anúncios do comandante, recomendando aos passageiros que retornem a seus assentos e mantenham o cinto de segurança afivelado diante da "possível ocorrência de turbulência” faz quase parte da rotina.

Na grande maioria dos casos, a leve agitação ou vibração da cabine cessa quase imediatamente e, dificilmente, é notada pelos passageiros freqüentes. Raramente ela se transforma em ameaça à integridade de passageiros, tripulantes e equipamentos soltos como o (pesado) carrinho de bebidas.

Mas é o que, infelizmente, aconteceu em um voo recente da American Airlines, quando 10 pessoas se feriram quando o avião “furou” a turbulência na descida para o pouso em Philadelphia. Longe de ser inusitado e único, o incidente, mais uma vez, lembrou a seriedade do problema e o que pilotos e companhias aéreas podem fazer para eliminar ou atenuar as eventuais "armadilhas aéreas", invisíveis, ao longo das rotas.

Nos Estados Unidos, a cada ano, cerca de 40 pessoas sofrem ferimentos sérios causados pela turbulência em voo, conforme estatísticas da FAA. No ano passado, o órgão contabilizou 44 acidentados, número que só perdeu para os mais de 100 registrados em 2009. Para muitos, o número deve ser muito maior, devido a deficiências nos registros de ocorrências.

O Conselho Nacional de Segurança dos Transportes (NTSB) exige que as companhias aéreas reportem incidentes que resultem em ferimentos sérios ou mesmo mortes. É destes dados que o FAA “filtra” aqueles causados pela turbulência. Por outro lado, os comunicados das companhias aéreas são dispensados quando não exigem uma internação hospitalar de, no mínimo, 48 horas ou envolvem casos específicos como fraturas, queimaduras ou danos a órgãos.

Caos a bordo 

Assim, o voo recente da American não se enquadra nas exigências do NTSB, pois os envolvidos tiveram alta hospitalar em poucas horas e não sofreram qualquer ferimento que exigisse o relatório para o NTSB.

Outro voo da American procedente de Atenas encontrou turbulência severa sobre a costa de New York afetando sete membros da tripulação de cabine e três passageiros – entre os 299 ocupantes a bordo – que se achavam de pé ou sentados, sem o cinto de segurança. Todos foram transportados a um hospital. A aeronave, após a inspeção, não mostrou sinais de dano, exigindo apenas uma limpeza radical da cabine – inclusive o teto – que mostrava os sinais do caos causado pelos caprichos do tempo.

Entre meados de 2016 e 2017, voos da United entre Cidade do Panamá e Houston, da Aeroflot entre Moscou e Bangkok e da JetBlue sobre South Dakota, EUA, foram surpreendidos por forte turbulência afetando, em diversos graus, um total de mais de 50 pessoas – entre passageiros e tripulantes, envolvendo até o pouso de emergência da JetBlue.

Os tipos de turbulência 

A turbulência pode ser classificada como leve, moderada, severa e extrema. As duas primeiras costumam assustar apenas os iniciantes ou aqueles com aerofobia, mas as duas restantes são perigosas. Principalmente para passageiros que gostam de passear pelos corredores ou, mesmo sentados, parecem não acreditar na utilidade dos cintos de segurança.


A maioria das pessoas associa turbulência com grandes tormentas, porém o perigo maior é representado pela chamada turbulência em ar claro (CAT) – um fenômeno de tesoura de vento que pode ocorrer em tênues nuvens "cirrus" ou em ar claro próximo a células de tempestade, quando a diferença entre temperatura e pressão cria fortes e velozes correntes de ar.

Aeronaves podem penetrar em zona de CAT, sem percepção ou aviso. As companhias aéreas dependem dos meteorologistas para prever a localização e intensidade do mau tempo e dos despachantes de voo em terra para atualizar os pilotos. Os pilotos também dão muita atenção ao sobrevoo de montanhas e certas frentes do tempo.

Radares e dicas de outros pilotos 

Aviões comerciais modernos são equipados com radarares muito eficientes para a localização das formações de nuvens, potenciais fontes de turbulência. Indicadores como nuvens de tempestade com o topo em forma de bigorna (cúmulo-nimbos) são outras indicações, mas a melhor fonte de informação continua sendo as informações de pilotos voando na mesma área.

Os pilotos desenvolveram algumas técnicas para enfrentar a turbulência com segurança. Eles podem reduzir a velocidade de seu avião – a “velocidade de penetração em turbulência” acima, claro, do estol, mas não tão elevada que possa danificá-lo. Podem ainda solicitar que o controle do tráfego aéreo aprove uma mudança de altltude, nem sempre atendida.

Se um passageiro sentir que seu avião está subindo ou descendo em meio ao voo, ele pode estar seguindo informações de colegas que estão voando a sua frente.

Fonte: Aeromagazine

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