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Após cobrança, cresce o número de passageiros que não despacham mala - Não é possível afirmar redução nos preços

Movimentação no Aeroporto de Congonhas, zona sul de São Paulo (SP). Foto: Avener Prado/Folhapress.

O brasileiro está despachando menos malas quando viaja de avião.

A conclusão foi divulgada pela Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) nesta quinta-feira (21) no primeiro diagnóstico apresentado pelas companhias aéreas desde que começou a valer a medida da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) que permite separar do valor da passagem o custo para o despacho de bagagem.

A entidade também concluiu que a tarifa média teve quedas de 7% a 30% entre junho - quando a nova medida começou a ser praticada - e o início de setembro.

O tamanho da queda de preços varia de acordo com as rotas viajadas e com as empresas.

No entanto, os dados precisam ser olhados com cautela, porque não é possível afirmar com precisão qual parte da redução nos preços se deve especificamente à mudança na política de bagagem ou à recessão.

A queda de preços já havia aparecido no relatório de tarifas divulgado nesta terça-feira (19) pela Anac - e ela é anterior à implementação da medida. No primeiro semestre deste ano, a tarifa aérea média doméstica real ficou em R$ 323,62, valor 2,6% menor do que o registrado no mesmo período de 2016, em valores atualizados pelo IPCA a junho de 2017.

O IPCA mostra que os preços das passagens já vinham caindo desde 2015, quando a crise se aprofundou e atingiu a demanda por viagens.

Em sua apresentação dos primeiros resultados da desregulamentação da franquia de bagagem, a Abear mostra cautela com as palavras, usando expressões como "sinaliza" e "tendência" para comunicar a queda de preços observada.

Eduardo Sanovicz, presidente da Abear, afirma que há outros fatores que impactam o preço das passagens, como câmbio e combustível.

A Azul mostra redução de 38,4% no preço do trecho Brasília-Recife entre julho do ano passado e julho deste ano na tarifa que ela já cobrava mais barato. Na Latam, a tarifa piso no mesmo trecho apresentou queda semelhante (33%).

Na Gol, a maior baixa de preços aconteceu no trecho Galeão-Salvador (-30,4%).

SEM MALA

A Gol foi a única empresa que informou qual foi exatamente a variação na quantidade de viajantes que não despacharam mala desde que a nova política foi implementada. A empresa registrou um aumento de 50% no período após as mudanças.

Latam e Azul informam que o número subiu, mas não especificam o tamanho da variação. Atualmente, a parcela dos passageiros que viajam só com bagagem de mão é de 63% na Latam, 60% na Azul e 65% na Gol.

A Avianca Brasil é a única dentre as grandes que ainda não havia aderido à medida, mas a partir de segunda (25) vai começar a ofertar uma opção de passagem sem custo de despacho de bagagem.

A Abear também divulgou nesta quinta o resultados do setor para o mês de agosto, com melhora em todos os principais indicadores. A demanda subiu 5,51% para uma oferta que também avançou 3,65%. A demanda completa seis meses de alta.

Fonte: Folha de S. Paulo

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