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Companhias aéreas cobram taxas adicionais para impulsionar receita

Emirates é uma das companhias aéreas que começaram a cobrar taxas adicionais em busca de lucro. Foto: Marwan Naamani/AFP.

Ainda que a raiva dos passageiros diante dos preços e da qualidade do serviço das companhias aéreas esteja crescendo, elas continuam a tirar cada vez mais dinheiro de taxas sobre tudo que puderem cobrar, de despacho de bagagem a comida e reservas em hotéis.

Nos últimos 10 anos, as chamadas taxas acessórias registraram alta. As 10 maiores companhias de aviação do planeta pelo critério de receita com taxas adicionais faturaram US$ 2,1 bilhões com elas em 2007. Em 2016, o montante faturado havia crescido para US$ 28 bilhões, de acordo com pesquisa da IdeaWorksCompany e CarTrawler.

Entre os grupos mais bem-sucedidos na venda de serviços acessórios estão a United, que gerou US$ 6,2 bilhões em receita com eles no ano passado; a Delta, que gerou US$ 5,17 bilhões; e a American, que gerou US$ 4,9 bilhões.

No mundo, a estimativa é de que as companhias de aviação tenham faturado US$ 67,4 bilhões com taxas acessórias no ano passado, o que representa 9,1% das receitas totais das empresas de aviação no período, ante 4,8% em 2010.

A tendência não é nova. As taxas acessórias vêm subindo em todo o setor de transporte aéreo, à medida que as empresas buscam maneiras de compensar a receita perdida com a queda nos preços das passagens. Mas as companhias aéreas se tornaram mais inventivas na cobrança por serviços adicionais.

As atividades pelas quais pode haver cobrança incluem programas de milhagem, leilões de lugares vazios vizinhos aos do passageiro, garantias de cumprimento de horário, acesso a reservas de hotéis, serviços de viagens, locação de carros e aos lounges das empresas.

"As equipes de gestão das companhias de aviação claramente identificaram as taxas acessórias como uma maneira de elevar sua receita por meio de ofertas adicionais à venda simples de passagens – e de ofertas com margem de lucro mais elevada", disse Anand Date, analista de aviação do Deutsche Bank.

No entanto, isso despertou o ceticismo de alguns observadores de dentro do setor, que argumentam que a maioria dessas taxas envolve serviços que os passageiros costumavam receber gratuitamente, e que portanto são aumentos de tarifa escondidos.

Neste ano, a British Airways atraiu críticas de alguns passageiros depois de começar a cobrar por comida e bebidas em algumas rotas curtas na Europa.

A decisão levou a uma perda de distinção entre as companhias de aviação de serviço pleno e suas rivais de baixo custo. A maioria das empresas do setor agora oferece tarifas que incluem apenas o assento, permitindo que os passageiros escolham os adicionais pelos quais desejam pagar.

BENEFÍCIOS

A pressão por faturamento significa que mesmo companhias aéreas que há muito rejeitavam a ideia de cobrar por esses serviços estão começando a perceber os benefícios que eles oferecem em termos de lucro.

Tanto a Etihad Airways quanto a Emirates Airlines, que não costumavam cobrar taxas adicionais, começaram a adotá-las, nos últimos 12 meses, em um esforço por compensar a queda de seus lucros em um período de mau desempenho para as empresas de aviação do Golfo Pérsico.

Em outubro do ano passado, a Emirates começou a cobrar taxas por seleção antecipada de assentos, na classe econômica. Em janeiro, ela anunciou que permitiria que passageiros de classe econômica membros de seu programa de fidelidade tivessem acesso – pago – aos lounges que opera.

Em junho, a Etihad anunciou um plano semelhante de acesso pago aos seus lounges para passageiros da classe econômica, e também decidiu que começaria a cobrar pelos serviços de transporte para o aeroporto, antes oferecidos gratuitamente a todos os seus passageiros classe premium.

A companhia também introduziu uma oferta aos passageiros para que oferecessem lances por até três assentos vazios ao lado do que ocupam.

O foco nos adicionais provavelmente vai se intensificar em todo o setor mundial de aviação, de acordo com comentaristas do setor. "Creio que veremos mais e mais companhias de aviação seguindo esse caminho. Quando o preço é o fator determinante na maior parte do mercado, quanto mais caírem os preços das passagens, mais será necessário compensar a queda de receita por da meio da venda de outros serviços", diz o consultor de aviação John Strickland.

As companhias de aviação estão dedicando cada vez mais atenção àquilo que já têm e não vendem, mas poderiam vender. "Há um movimento na direção de mostrar aos passageiros todas as opções que eles poderiam ter, e ao mesmo tempo vender mais a eles", diz Chris Tarry, consultor de aviação radicado em Londres. "No caso de algumas dessas taxas, como a de acesso a lounges ou a assentos vagos, é quase como se as empresas estivessem vendendo sua capacidade excedente", ele acrescenta.

De acordo com pesquisas do grupo de tecnologia Sabre, os viajantes estão dispostos a gastar até US$ 99 adicionais em serviços extras das empresas de aviação, referentes a assentos, bagagens e comida, a fim de personalizarem seus voos.

As companhias de aviação de baixo preço apresentam o melhor desempenho, como seria de esperar, na geração de receita acessória, em termos de porcentagem do faturamento total da companhia.

De acordo com pesquisas da IdeaWorksCompany e CarTrawler, as taxas adicionais podem responder por até 46% da receita total da Spirit, uma companhia de aviação de baixo custo dos Estados Unidos. Na Europa, a Wizz Air apresenta a proporção mais alta, com 39,4% de seu faturamento associado a taxas adicionais, enquanto no caso da Ryanair a proporção é de 26,8%.

Além das taxas extras mais comuns, associadas às passagens, o crescimento futuro no faturamento com itens acessórios provavelmente virá da instalação de sistemas Wi-Fi em aviões e de novas fontes de receita como filmes exclusivos e publicidade, ou serviços que permitiriam que passageiros reservassem hotéis ou restaurantes em voo.

"As companhias de aviação inteligentes serão aquelas que continuem a pensar sobre seus passageiros, que em geral levam vidas ocupadas, e que se esforcem por tornar o tempo que os passageiros passam a bordo o mais produtivo que puderem para eles", diz Graham Pickett, diretor mundial de viagens e aviação da Deloitte.

Jay Sorensen, presidente da IdeaWorksCompany, concorda. "O foco das companhias de aviação é vender lugares. Creio que elas precisem começar a se concentrar no número de dias que um passageiro passará longe de casa, o que representa uma oportunidade para que vendam mais".

Fonte: Financial Times/Folha de S. Paulo

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