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Entenda por que é tão caro remarcar passagens aéreas em casos de desastres naturais

Painel indica voos cancelados no aeroporto de Miami durante em 8 de setembro, às vésperas da passagem do furacão Irma pela cidade - Foto: Wilfredo Lee / AP.

Às vésperas da chegada do furacão Irma à Flórida, uma passageira brasileira tentava, junto à Latam, mudar a origem de seu voo de volta de Miami para Orlando, onde o aeroporto ainda estava em funcionamento.

A companhia aérea havia aberto a possibilidade de remarcação sem multas, mas cobrava R$ 7.000 por passageiro em classe econômica. Um valor bem maior ao pago pelos bilhetes, de ida e volta, originais.

Casos semelhantes foram bastante relatados durante as recentes passagens dos furacões Irma e Maria pelo Caribe e até mesmo por pessoas que estavam na Cidade do México durante o terremoto da última terça-feira, 19 de setembro. E levantaram algumas perguntas: as companhias aéreas se aproveitaram desses eventos para vender bilhetes mais caros? Elas têm obrigação de remarcar os voos sem custo para os passageiros?

Por que os preços variam tanto?

De acordo com a Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), os preços altos cobrados de última hora vêm da lógica de livre mercado, assegurada pelo fim da regulamentação das tarifas desde 2002. Até aquele ano, o governo brasileiro regulava os preços cobrados pelas empresas, que variavam apenas em relação à classe de serviço, ou seja, havia preços fixos para a econômica, a executiva e a primeira classe.

Com o fim da regulamentação, as empresas passaram a aplicar diferentes faixas de preço dentro de uma mesma classe de serviço, inclusive para a mesma data, com diferentes políticas de cancelamento, remarcação e, mais recentemente, de franquia de bagagem despachada. Outras variáveis entram na composição do preço, como aquisição conjunta de bilhete de ida e volta (mais baratos que apenas uma perna, para garantir a lotação da aeronave), tempo de permanência no destino, antecedência de compra e pontuação em programas de fidelidade.

"Dessa forma, as empresas podem oferecer passagens, a custos muito baixos, que se tornam acessíveis para um grande número de pessoas, bastando para isso que os consumidores programem as compras. Por outro lado, passageiros que compram bilhetes de última hora e que precisam viajar em dias e horários determinados, perfil tipicamente de viajantes de negócios, com maior poder de consumo, pagam comparativamente preços mais elevados que acabam equilibrando financeiramente a operação", resume a associação, em nota.

Ou seja: as empresas afirmam que quem compra as passagens de última hora acaba "subsidiando" as tarifas mais baixas cobradas com mais antecedência, importantes para garantir uma lotação mínima que compense a operação do voo.

Em uma pesquisa feita no sistema da Latam na manhã desta sexta-feira, a reportagem encontrou passagens de Orlando para o Rio para o dia seguinte que custavam de R$ 3.871,65 (direto) a R$ 7.196, 12 (com conexões em Santiago e São Paulo). Vale lembrar que a procura no período da passagem do Irma era maior que a registrada agora.

Passageiros esperam no Aeroporto Internacional de Punta Cana, que teve operação afetada pelo furacão Maria - Foto: Tatiana Fernandez / AP / 20-9-2017.

E as políticas de cancelamento?

Cada empresa tem sua própria política de cancelamento e ela pode ser flexibilizada em casos de desastres naturais, como os furacões e terremotos.

No caso do tremor do México, a Latam está oferecendo a passageiros com viagens programadas entre 19 e 24 de setembro a alteração de data ou voo para um período até 15 dias após a data original sem multa ou diferença tarifária, desde que a origem e o destino sejam os mesmos. Para mudança de rota no período de 15 dias, não há multa, mas será cobrada a diferença tarifária. Para quem ainda não havia viajado, a companhia oferece o reembolso do valor total pago. Medidas semelhantes foram tomadas nos destinos afetados pelo furacão Irma, de acordo com a companhia.

A Gol afirma que, "diante de situações inesperadas sempre analisa a possibilidade de conceder remarcações e cancelamentos, sem cobranças adicionais". Nesses casos, a empresa comunica seus clientes por e-mail e telefone. É o que ela diz estar fazendo em relação aos voos para Punta Cana, na República Dominicana, país atingido pelo furacão Maria esta semana, disponibilizando voos extras para quem quisesse antecipar a volta ao Brasil, assim como novos voos posteriores ao ocorrido, sem custos para remarcação.

A Copa Airlines diz que "passageiros que desejam antecipar suas passagens estão sendo atendidos conforme disponibilidade de recurso e de aeronaves. Os preços praticados são de acordo com a taxa tarifária que o passageiro irá utilizar de fato para voltar ao seu país de origem, não tendo relação com a condição climática do local que o passageiro está." Passageiros que compraram bilhetes até 18 de setembro para viajar entre 19 a 26 de setembro podem alterar a data do voo até 16 de outubro sem penalidade alguma, segundo a empresa.

Segundo a Delta, "quando as operações são interrompidas devido a condições climáticas severas ou outras eventualidades, a companhia pode emitir uma isenção na remarcação de passagens para que os clientes possam mudar de voo sem pagar qualquer taxa".

Passageiros lotam os saguões do Aeroporto Internacional Tocumen, na Cidade do Panamá - Foto: Arnulfo Franco / AP.

O que diz a Defesa do Consumidor?

A coordenadora de atendimento do Procon-RJ, Soraia Panella, explica que a situação de uma pessoa que está no local onde ocorreu o terremoto, por exemplo, é diferente da de quem tem passagem marcada para um local para o qual está previsto algum fenômeno, como aconteceu com os furacões nos EUA e no Caribe.

- Quando a pessoa já está no local da viagem, com os serviços de passagens e hospedagem atendidos, as condições para a aplicação de taxas para antecipação de voos têm que ser as que estão previstas no contrato. O prestador do serviço não pode cobrar além do acordado somente em virtude do desastre. Já nos casos em que a pessoa ainda não viajou, pode haver o cancelamento sem custos, uma vez que o serviço ainda não foi prestado. Caso o consumidor se sinta prejudicado, pode procurar os órgãos de proteção e defesa do consumidor - diz a advogada.

Fonte: O Globo

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