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O movimento de rotação da Terra influencia na duração dos voos?


Não, o fato da Terra girar a 1675 km/h no sentido oeste-leste não é capaz de, por si só, encurtar ou prolongar uma viagem.

De fato, escolher a rota adequada pode sim ser um atalho para economizar combustível – algo que as companhias aéreas sabem como ninguém. Mas isso não acontece por conta desse movimento natural terrestre, e sim devido à dinâmica das massas de ar.

Enquanto um avião corta o céu, ele se desloca dentro de um fluido – no caso, o ar presente na atmosfera. Nesse movimento estão envolvidas duas velocidades diferentes: a velocidade da aeronave em relação ao ar (chamada na aviação de airspeed), e a velocidade do avião em relação a um ponto fixo no chão (que leva o nome de groundspeed).

A airspeed se relaciona com a rapidez que as partículas de ar passam ao redor do avião. “É com base nela que a aeronave voa”, explica Jorge Henrique Bidinotto, professor do departamento de engenharia aeronáutica da EESC-USP. “Essa velocidade não sofre nenhuma influência da rotação da Terra, porque quando a Terra gira, ela ‘carrega’ junto a atmosfera”, completa. O mesmo acontece com a outra componente, a groundspeed. Também não acontece interferência por parte da rotação terrestre, uma vez que tudo gira junto, na mesma velocidade de nosso planeta.

Considerando apenas esses fatores, seria sempre possível cumprir a mesma distância no mesmo tempo, independentemente da direção que um avião adotasse. Mas não é o que necessariamente acontece, graças a outro aspecto que pode pesar na conta: as correntes orientadas de vento. “Do ponto de vista aerodinâmico, é indiferente se o vento é de proa (sentido oposto em direção à rota) ou de cauda (mesmo sentido da rota). A aeronave fará seu deslocamento dentro da massa de ar”, conta Fernando Madeira, professor da UFABC. “Porém, se o vento for de cauda, a aeronave atingirá antes a seu destino, se comparado com o mesmo deslocamento na condição vento de proa ou mesmo sem vento”.

Diretamente ligadas ao movimento de rotação terrestre, as chamadas “correntes de jato” (jet streams) se distribuem no globo de forma bastante particular. Desde que foram descobertas pela primeira vez durante a 2ª Guerra Mundial, caçá-las virou sinônimo de economizar tempo, combustível e dinheiro.

“Imagine que uma aeronave esteja voando a 200 nós (1 nó = 1,852 km/h) de airspeed. Se ela estiver a favor do vento, e esse vento for de 20 nós, sua groundspeed será de 220 nós (200+20)”, diz Bidinotto. Nesse cenário, com velocidade superior, o avião chegaria mais rápido até seu ponto final.

É por causa desses atalhos que, por exemplo, voar de Nova York para Los Angeles demora uma hora a mais do que cumprir o roteiro Los Angeles-Nova York. Ou então, ir de Tóquio para Los Angeles pode ser 30% mais rápido – graças à corrente de jato do Pacífico. Também com a ajuda do vento, o roteiro entre EUA e Reino Unido pode ser, em alguns trechos, cumprido com velocidade até 160 km/h superior. 

“Por outro lado, se essa mesma aeronave estivesse contra um vento de 20 nós, sua groundspeed seria 180 nós (200-20), fazendo com que ela tivesse que ficar mais tempo voando para chegar ao mesmo destino”. É por conta disso, destaca Bidinotto, que as máquinas aéreas costumam sempre viajar com mais combustível que o necessário para cumprir sua rota original. Como qualquer desvio pode demandar um caminho maior, prevenir é melhor que remediar.

Fonte: Super Interessante

Um comentário:

  1. Matéria gentilmente enviada pelo leitor do AEROJOAOPESSOA, Rudolf Thales.

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