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Presidente da Azul descarta IPO do programa de fidelidade da aérea


O presidente da Azul, John Rodgerson, respondeu nesta quinta-feira (21) com um enfático "não" à pergunta do Valor sobre eventuais planos para, no curto, médio ou longo prazo, fazer a cisão do programa de benefícios e fidelidade Tudo Azul e promover uma oferta pública inicial de ações (IPO).

"Por quê? Temos caixa, há questões tributárias e tem nosso cliente, que é mais bem atendido quando a fidelidade está na empresa", disse Rodgerson.

Segundo ele, há perdas tributárias quando uma empresa de fidelidade tem operação separada da companhia aérea. Por ser geradora de caixa e registrar lucros, as companhias de fidelidade pagam impostos elevados, tirando a possibilidade de a aérea obter ganhos tributários.

O vice-presidente financeiro da Azul, Alex Malfitani, também diretor geral da Tudo Azul, afirmou que existem ganhos de eficiência em uma empresa de fidelidade administrada de forma independente, por causa do foco. Mas apontou que é possível ter esse ganho sem necessariamente fazer um IPO dessa operação.

"Céus abertos"

O presidente da Azul disse que a ratificação do acordo de 'céus abertos' entre o Brasil e Estados Unidos não é um tema que deveria ser prioritário para a aviação. O executivo afirmou que antes de derrubar todos os limites à criação de novas rotas entre os dois países, é preciso equalizar regras no transporte aéreo brasileiras com as americanas.

"Se o 'céus abertos' valer, as companhias americanas serão mais competitivas porque os custos de pilotos lá são menores. Como vou dizer aos meus pilotos que não vamos abrir uma nova rota porque a United [sócia da Azul] vai fazer o voo porque ela é mais competitiva?", disse o executivo.

Para ele, há outros temas que podem estimular a aviação no Brasil, como por exemplo, a liberação do visto para americanos virem ao país.

Sem a ratificação do céus abertos - acordo assinado em 2011 que vem sendo implementado aos poucos e que precisa da aprovação final dos governos para iniciar a etapa final, sem limites de voos - as companhias aéreas brasileiras e americanas não podem, por exemplo, implementar acordos comerciais de compartilhamento de rotas em que dividem despesas e receitas. "Nesse caso, voa a empresa que tiver o custo mais baixo. E hoje, as empresas americanas seriam mais eficientes", disse o executivo.

Acordo com TAP

Já para a Europa, a Azul enxerga espaço para possíveis acordos operacionais. Em até seis meses, a empresa assinará um acordo comercial com a TAP, disse o presidente da Azul.

A Azul tem participação de 4% no capital da TAP por meio de títulos de dívida conversíveis em ações. Além disso, o controlador da Azul, David Neeleman, integra a Atlantic Gateway, que participa do bloco de controle da aérea portuguesa, privatizada em 2016.

O plano da Azul é compartilhar com a TAP rotas entre Brasil e Portugal, tendo uma malha combinada, de forma que os horários de voos serão decididos entre as duas, que dividirão custos e lucros na operação.

Acordo semelhante foi feito pela Latam Brasil com a IAG, dona da British Airways e da Iberia, em contrato que foi aprovado pelo Cade esse mês.

Fonte: Valor Econômico

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