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Excesso de jatos privados acaba com otimismo do setor


As fabricantes de jatos executivos estão inundando o mercado, incentivando grandes descontos para os aviões novos e alimentando uma queda de três anos nos preços dos aviões usados.

A maioria dos principais fabricantes, entre eles a Gulfstream e a Bombardier -- que também enfrenta obstáculos crescentes em sua divisão de aviões comerciais -, diminuiu a produção nos últimos dois anos porque a demanda por jatos privados caiu. Mas isso não foi suficiente para deter os declínios no preço das aeronaves, dizem consultores, corretores e analistas da indústria de US$ 18 bilhões.

Acabou-se o otimismo provocado pela eleição de Donald Trump, um especialista em jatos executivos com seu próprio Boeing 757, junto com as esperanças de rápidos cortes fiscais que impulsionariam a compra de aviões. Ao contrário, as notícias não foram boas. O secretário de Saúde dos EUA, Tom Price, pediu demissão após ser atacado por usar com muita frequência jatos privados pagos pelo contribuinte. A General Electric venderá sua frota corporativa para reduzir custos.

"O efeito Trump acabou", disse Janine Iannarelli, corretora de aviões em Houston.

O excesso de jatos é um dos motivos pelos quais o preço dos aviões usados caiu 16 por cento em agosto em comparação com o mesmo período do ano anterior. Com uma grande oferta de aviões com poucas horas de voo, as fabricantes estão fazendo acordos para persuadir os compradores a adquirirem aviões novos. Enquanto isso, continuam produzindo aviões e introduzindo modelos novos.

Descontos

Os grandes descontos nas novas aeronaves estão irritando clientes que pagaram valores mais próximos do preço completo, disse Barry Justice, fundador e CEO da Corporate Aviation Analysis & Planning. A Gulfstream, unidade da General Dynamics, reduziu em até 35 por cento o preço de seu G450, que está sendo retirado gradualmente à medida que se aproxima o lançamento do novo G500, disse Rolland Vincent, consultor que elabora projeções para a indústria da JetNet iQ. O preço de tabela do G450 era de cerca de US$ 43 milhões, segundo o guia Business & Commercial Aviation.

No que se refere a jatos executivos, o mercado global não se recuperou totalmente da última recessão dos EUA, quando a forte queda da demanda estourou uma bolha que tinha inundado o setor com mais de 1.000 entregas de aviões novos em 2007 e em 2008. Uma recuperação incipiente em 2013 e 2014 foi derrubada pela queda dos preços do petróleo e de outras commodities, reduzindo as vendas em mercados emergentes como a Rússia e o Brasil.

Projeta-se que as entregas de jatos privados novos cairão para 630 neste ano, contra 657 no ano passado e 689 em 2015, de acordo com o JPMorgan Chase & Co. A previsão é de uma pequena recuperação, para 640, em 2018.

Fonte: Uol/Bloomberg

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