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MPF exclui participação de dirigentes brasileiros em tragédia com voo da Chapecoense

Chegada dos corpos das vítimas do acidente da Chapecoense à Arena Condá, onde foi realizado velório coletivo - Foto: Marcos Alves / Agência O Globo (03/12/2016).

O Ministério Público Federal (MPF) concluiu investigação iniciada ano passado sobre o acidente aéreo da Chapecoense, que causou a morte de 71 pessoas, entre atletas, dirigentes e jornalistas.

Para os procuradores, a falta de combustível da aeronave é a causa mais provável da tragédia e não há indícios que executivos do clube ou autoridades brasileiras tenham cometido algum tipo de crime. O relatório final do MPF, no entanto, pede investigação sobre autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para voo feito pela companhia aérea boliviana LaMia no Brasil com a seleção argentina de futebol.

O avião que levava a tripulação da Chapecoense para um jogo da Copa Sulamericana caiu em 28 de novembro do ano passado próximo a Medellin, na Colômbia. Por isso, as causas do acidente são apuradas pelas autoridades daquele país. Um dos objetivos da investigação brasileira, a cargo do MPF de Chapecó (SC), era descobrir se dirigentes da Chapecoense contrataram a LaMia como parte de um esquema de corrupção da Confederação Sulamericana de Futebol (Conmebol).

Segundo a investigação, a Chapecoense conseguiu comprovar que fez cotações do voo com outras duas companhias aéreas, que apresentaram valores mais altos que os US$ 130 mil pedidos pela Lamia ou disseram não operar o trecho solicitado. "Não se vislumbram elementos que indiquem que tenha havido qualquer pagamento de valor indevido ou outro interesse escuso para que essa contratação ocorresse", afirma o relatório do MPF.

VOO DA ARGENTINA

Ao analisar o voo da LaMia que levou a seleção argentina para um jogo da eliminatória da Copa em Belo Horizonte, também em novembro do ano passado, os procuradores disseram que há indícios da "possível ocorrência de crime de prevaricação e/ou ato de improbidade administrativa por parte dos responsáveis pela autorização dos voos da empresa para transporte da seleção argentina de futebol".

O relatório cita uma troca de mensagens entre funcionários da LaMia e dirigentes brasileiros, sem indicar seus nomes, que indicam que havia interesse em procurar "alguém de peso" para liberar "burocracias da Anac". “Burocracia interna da Anac. Acreditamos que força política possa ser importante”, diz a mensagem, segundo o MPF.

Como a Anac fica em Brasília, o pedido de investigação sobre a autorização do voo da seleção argentina foi encaminhado à Procuradoria da República do Distrito Federal.

Em outra troca de mensagens, há indícios de que o verdadeiro dono da LaMia é o empresário venezuelano Ricardo Albacete, que já enfrentou denúncias de fraude na Venezuela. Em um email, o dirigente da Chapecoense responsável pela contratação da empresa aérea pergunta a Loredana Albacete, filha de Ricardo, em que conta deve depositar o pagamento.

Oficialmente, a empresa estava registrada em nome do piloto Miguel Quiroga, que morreu no desastre aéreo. Também nesse quesito, os procuradores de Santa Catarina afirmaram que a apuração sobre o real proprietário da companhia não é de sua competência: "Embora relevante sobre outros aspectos, (esse fato) em princípio, não guarda ertinência com a presente apuração", diz o relatório.

Fonte: O Globo

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