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Aeronaves de última geração puxam crescimento do mercado

Aeroporto Internacional de Brasília, no Distrito Federal, um dos dez sob administração privada no país. Foto: Bento Viana/Divulgação.

O mercado brasileiro de aviação civil deve crescer cerca de 5% ao ano em média na próxima década, segundo projeção da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas).

Um outro estudo, da Airbus, prevê que em duas décadas o mercado doméstico deve ser 2,6 vezes maior em volume de tráfego.

Esse crescimento deve ser puxado por ganhos de eficiência na operação das companhias aéreas, que planejam uma importante modernização de frota, com a chegada da nova geração de aeronaves estreitas, com apenas um corredor, da Boeing e da Airbus – os 737 MAX e os A320neo.

Juntas, Avianca, Azul, Gol e Latam encomendaram 300 aviões dessa nova geração, que chegam principalmente em substituição a aeronaves mais antigas.

"Esses aviões são em média 20% mais eficientes do que os da geração anterior", explica Maurício Emboaba, consultor técnico da Abear.

Segundo Emboaba, a concorrência entre as empresas deve garantir que o ganho de eficiência ajude a reduzir o preço, estimulando a demanda. No entanto, ele lembra que no caso da modernização da frota, os ganhos de eficiência devem ser escalonados, uma vez que essas aeronaves serão substituídas ao longo de cinco ou mais anos.


Ainda que um crescimento de 5% ao ano seja motivo de comemoração – no ano passado o setor encolheu 5,7% –, alguns entraves limitam uma alta mais expressiva, na casa de dois dígitos, como aconteceu no período pós desregulamentação tarifária, no início dos anos 2000.

Na época, o crescimento foi puxado pela redução da tarifa média, que hoje custa cerca de um terço do que custavam em 2000.

"No mundo todo, a taxa de crescimento da economia e o preço médio impulsionam o crescimento do setor. Para cada real de aumento no preço médio nas tarifas, a demanda cai 0,53%", explica o consultor da Abear.

Para a entidade, uma redução na tarifa do ICMS dos combustíveis, medida que está em discussão no Congresso, ajudaria a estimular a demanda se repassada aos preços. "Uma redução no valor dos combustíveis, que representam 26% dos custos das empresas hoje, teria um impacto direto e muito forte", afirma Emboaba.

EFICIÊNCIA

A nova fronteira de eficiência no setor deve vir da capacidade das companhias aéreas de explorar ao máximo fontes auxiliares de receita, segundo Alessandro Oliveira, coordenador do Núcleo de Economia do Transporte Aéreo do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).

"O indicador de eficiência não vai mais ser só o custo por assento, mas quanto a empresa produz por hora voada", afirma Oliveira. "Quanto mais as empresas conseguirem entender o consumidor e segmentar o serviço, mais vão conseguir obter receitas com bagagens extras, comida a bordo, espaço maior entre as poltronas, se acumula ou não milhas."

Para Oliveira, a maximização das receitas auxiliares deve garantir uma maior sustentabilidade dos lucros em um setor conhecido por fortes oscilações nos balanços.

As operações também ganharam produtividade com os investimentos gerados pela privatização dos principais aeroportos, que trouxeram melhorias principalmente em termos de terminais de passageiro e de pátio.

Para avançar em eficiência será preciso investir em melhorias no controle de tráfego aéreo, para permitir rotas mais diretas.

Nos últimos três anos, melhorias de gestão e a interação entre companhias e o tráfego aéreo permitiram reduzir a taxa de ineficiência nas aerovias de 11% para 8%. O indicador é uma referência entre o trajeto real e a distância em linha reta entre dois aeroportos.

Fonte: Folha de S. Paulo

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