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Apesar do risco, incidente com KC-390 vai torná-lo mais seguro, diz professor da USP

O maior avião militar fabricado no Brasil, o KC-390, em Gavião Peixoto (Foto: Rodrigo Sargaço/ EPTV).

O chefe do Departamento de Engenharia Aeronáutica da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, Fernando Martini Catalano, explicou nesta quinta-feira (9) ao G1 que o incidente ocorrido durante um voo de teste do Embraer KC-390, maior avião militar já construído no Brasil, vai torná-lo mais seguro. 

"Apesar do risco, vai melhorar o produto", ressaltou.

No último dia 12 de outubro, em Gavião Peixoto, a aeronave teve uma perda de altitude durante um voo de teste de certificação para avaliar as qualidades de voo em baixa velocidade, com simulação de formação de gelo. A empresa apura as causas.

Riscos em testes

Segundo Catalano, o KC-390 ainda está em fase de certificação e, portanto tem que passar por testes que simulam muitas situações críticas, que eventualmente possam acontecer quando ele estiver em operação.

Chefe do departamento de engenharia aeronáutica da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, Fernando Catalano (Foto: Reprodução/ EPTV).

"Os riscos nessa fase existem, mas fazem parte dessas atividades de ensaio em voo. Nesse caso a aeronave estava em configuração de existência de formação gelo, isso pode acontecer na vida real numa pane do sistema anti-gelo, e as características de voo nessa situação tem que ser avaliadas para que quando o avião estiver operacional, se acontecer a pane, quais procedimentos o piloto deve executar para manter a segurança", explicou.

Problema inesperado

Ele ainda explicou que nesse caso houve algum problema inesperado e a aeronave ultrapassou seus limites de carga em manobras. "Mas felizmente conseguiram trazer os tripulantes e a aeronave em segurança. Acredito que esse caso, apesar do risco, vai melhorar o produto pois o tornará mais seguro", afirmou.

KC 390 deve entrar em operação pela FAB em dois anos (Foto: Reprodução/EPTV).

Entenda o caso

Em comunicado enviado nesta quarta-feira (8) ao G1, a Embraer informou que o incidente aconteceu durante um voo de teste de certificação para avaliar as qualidades de voo em baixa velocidade com simulação de formação de gelo.

Segundo a Embraer, a tripulação fez os procedimentos de recuperação recomendados e conseguiu retornar ao ângulo de ataque normal de voo, porém, as características e a duração das manobras resultaram em uma perda de altitude, "excedendo limites operacionais tanto de velocidade como de fator de carga". O G1 questionou, mas e empresa não informou o número de tripulantes e se houve risco de queda.

Cargueiro da Embraer KC-390 em construção em Gavião Peixoto (Foto: Divulgação/Embraer).

Ainda no comunicado, a Embraer informou que o teste foi interrompido e a aeronave pousou normalmente na área de teste da Embraer de Gavião Peixoto.

"Todos os sistemas da aeronave se comportaram conforme o esperado durante todo o voo. Após inspeções detalhadas, nenhum dano à estrutura principal da aeronave foi encontrado. Algumas carenagens externas e janelas de inspeção foram danificadas e precisarão ser reparadas antes que a aeronave retorne aos voos", explicou.

A Embraer informou ainda que o cronograma de certificação do Embraer KC-390 não foi afetado e a entrada em serviço está confirmada para 2018, com a entrega da primeira aeronave de produção para a Força Aérea Brasileira (FAB), que adquiriu um total de 28 aviões.

Fonte: G1

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