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Reservas para viagens aumentam até 20%

Falco, da CVC: "Com a melhora da economia, há evolução tanto nos embarques como nas reservas de fim de ano".

A relativa estabilidade do dólar ante o real neste ano e a retomada do consumo no Brasil alimentam o mercado de turismo de lazer.

Segundo operadores do setor, as reservas de passagens para embarques entre dezembro deste ano e março de 2018 - alta temporada de verão - estão entre 5% e 20% maiores que as verificadas um ano atrás, em uma tendência alimentada pelo interesse por pacotes internacionais.

Segundo sondagem realizada em novembro pela Fundação Getulio Vargas (FGV), a pedido do Ministério do Turismo, 27% dos brasileiros manifestaram intenção de viajar nos próximos seis meses. Esse percentual ainda representa uma retração, ante os 28,4% apurados em novembro de 2016, mas ao mesmo tempo mostra um aumento de cinco pontos percentuais ante o resultado de janeiro deste ano.

"O fim do ano é sempre aquecido para o setor de viagens de férias, mas este ano, com a melhora da economia, vemos uma evolução tanto nos embarques como nas reservas em relação ao ano passado", afirmou o presidente da CVC, Luiz Falco, que responde pela maior operadora de viagens do país. "

O consumo das famílias avançou 1,2% no terceiro trimestre deste ano. O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) prevê que esse indicador crescerá 3,9% em 2018.

O gerente regional da Booking.com no Brasil, Nelson Benavides, diz que a melhora da economia é fundamental para o turismo, pois 68% dos brasileiros levam a taxa de câmbio em consideração ao planejar viagens, e 61% analisam a situação econômica antes de tomar a decisão de viajar.

A maior oferta de voos também favorece as viagens por ajudou a segurar preços, disse o diretor-geral da Assist Card no Brasil, Alexandre Camargo, da empresa líder em seguros-viagem no país.

"De um lado, o câmbio mais estável tem estimulado a viagem dos brasileiros ao exterior", afirmou ele, lembrando que enquanto em 2016, o dólar médio foi 4,2% superior ao de 2015 e 48% mais caro que o de 2014, em 2017 a moeda americana caiu 11% ante o ano passado. "Em outro, a oferta de assentos voltou a crescer, o que ajuda a segurar preços", afirmou. "Apuramos até novembro um crescimento de 65% para atingir 5 milhões de vidas seguradas", disse Camargo.

Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontam que a oferta de assentos em voos domésticos e internacionais para os viajantes brasileiros acumula até outubro crescimentos de 10,6% e 1%, respectivamente. O setor terá em 2017 a primeira variação positiva após dois anos de encolhimento.

"Após uma troca de destinos internacionais por domésticos em 2016, agora os dados mostram a volta dos destinos internacionais", disse o diretor no Brasil da Kayak, um dos maiores sites de pesquisa de preços e destinos no setor de turismo. "Lisboa, por exemplo, tem ganhado destaque no turismo mundial e também no Brasil, deixando de ser o primo pobre entre destinos da Europa para ser um destaque entre as buscas dos brasileiros."

Na Agaxtur, especializada em destinos internacionais, os embarques para o exterior voltaram a representar 80% dos negócios da companhia, após essa fatia ter perdido espaço para os destinos domésticos em 2016, quando os voos internacionais e cruzeiros caíram para 60% das vendas da agência. "O preço das passagens ficou praticamente estável no final das contas. Mas existe uma oferta maior de voos e assentos. Um exemplo é a Avianca, que recentemente abriu dois voos novos, um para Miami e outro para Nova York", disse o presidente da Agaxtur, Aldo Leone

Segundo ele, a reação do mercado tem sido marcada pela busca pelos destinos mais tradicionais. "Disney está 42% acima das vendas do ano passado", afirmou Leone. Ele destacou ainda fatores excepcionais, como a Copa do Mundo na Rússia, em julho, como vetor de viagens internacionais. "Devemos embarcar 5 mil passageiros para lá", afirmou o executivo, que detém o direito de venda no Brasil dos pacotes de hospitalidade da Copa.

Na Agaxtur, os destinos mais procurados são Orlando, Santiago e Buenos Aires, no exterior, Gramado (RS), Natal e Bahia no Brasil.

"Tivemos em 2016 uma queda [de embarques e faturamento] devido à crise, mas com a ligeira melhoria da economia, as muitas promoções lançadas por companhias aéreas, hotéis e destinos, teremos aumento de vendas este ano", disse a diretora-geral da Schultz Operadora, Ana Maria Santana. "O prazo médio de viagens, que tinha caído a 10 dias para pacotes na Europa e Ásia, por exemplo, voltou a ser superior a 15 dias, chegando a 21 dias. Nos estados Unidos, o período médio aumentou de sete para dez dias também", disse ela.

Com esse cenário, a operadora, que reúne seis empresas no setor de viagens, prevê fechar 2017 com crescimento de 11% ante 2016.

Fonte: Valor Econômico

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