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Setor aéreo prevê retomar ciclo de alta na oferta

A demanda no transporte aéreo doméstico brasileiro cresceu 7,8% em outubro, a oitava alta mensal desse indicador.

As maiores companhias aéreas que atuam no Brasil e têm ações listadas em bolsas de valores assumiram posição mais otimista com relação aos cenários de curto e médio prazos para a demanda.

Depois de divulgarem balanços de terceiro trimestre deste ano com variações positivas para indicadores como receita, lucro e tarifa média, as empresas Azul, Gol e Latam querem retomar a expansão da oferta de assentos, invertendo o ciclo de retração que domina o setor desde 2015.

Dados divulgados na semana passada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que a demanda no transporte aéreo doméstico brasileiro cresceu 7,8% em outubro ante mesmo mês de 2016 - a oitava alta seguida desse indicador, que havia antes encolhido por 19 meses consecutivos.

Mais importante, dizem os executivos do setor, é que esse aumento de tráfego tem sido construído sobre uma melhora também da taxa de ocupação - uma condição fundamental para que as empresas possam voltar a elevar a oferta. Segundo a Anac, em outubro de 2017, a taxa de ocupação média do setor foi de 83,3%, alta de 5,2% ante mesmo mês do ano anterior. A terceira variação mensal positiva levou o indicador para o maior nível em outubro desde o ano 2000, quando a série foi iniciada.

Esse ambiente levou a Gol a projetar aumento de capacidade de assentos na malha da companhia pela primeira vez desde 2015. Após reportar lucro líquido de R$ 327,6 milhões no terceiro trimestre deste ano - ante perda de R$ 900 mil um ano antes -, a aérea avisou que deve encerrar 2017 com uma oferta de assentos cerca de 0,5% superior à praticada em 2016. A meta anterior era que esse indicador ficasse entre zero e menos 2%.

"Vemos reação da demanda corporativa e de lazer, o que justifica uma postura mais otimista da companhia", disse na teleconferência de resultados o presidente da Gol, Paulo Kakinoff, que conseguiu aumentar em 13,2% a receita, para R$ 2,72 bilhões, graças em parte a um maior valor médio da passagem, que subiu 11,6%.

"Existe um ambiente de demanda forte, sustentável, incluindo destinos que dependem do movimento corporativo", fez coro o presidente da Azul, John Rodgerson, depois de a companhia divulgar, no início de novembro, os resultados do terceiro trimestre. A empresa registrou lucro líquido de R$ 204 milhões ante um ganho de R$ 9,4 milhões um ano antes.

O presidente da Azul, que planeja fechar este ano já com uma capacidade até 13% maior que a de 2016, apontou que as tarifas têm se comportado de maneira positiva, sem redução da tarifa média. As receitas da empresa aumentaram 15%, para R$ 2 bilhões, beneficiadas por uma maior tarifa média do período e pelo crescimento de 6,7% no tráfego de passageiros.

"Esperamos agora que o país retome a aceleração do crescimento. Acredito que o processo político será menos tenso que tivemos até agora. A tendência é de melhora", afirmou o presidente do conselho da Latam Airlines, Ignacio Cueto, em entrevista na semana passada. A companhia, resultado da fusão entre a chilena LAN e a brasileira TAM, teve lucro líquido de US$ 160,6 milhões no terceiro trimestre deste ano, ganho quase 34 vezes maior que o registrado um ano antes.

O ganho foi alimentado pela melhoria do resultado operacional, com avanço de 5% nas receitas que atingiram US$ 2,65 bilhões, e pelo impacto positivo de um ganho cambial de US$ 58,8 milhões, graças à valorização de 4,4% do real durante o trimestre.

Cueto disse que a expansão da Latam está sendo pautada pela abertura de novas rotas internacionais, para firmar a companhia como uma das maiores transportadoras do mundo. Nesse movimento, o Brasil é mercado-chave.

Desde o início de 2016, a Latam lançou 26 novas rotas internacionais a partir do Brasil, além de quatro novas operações - para Tel Aviv (Israel), Roma, Lisboa e Boston - anunciadas este semestre, o que vai elevar a 144 o total dos destinos atendidos pela companhia em 27 países.

Fonte: Valor Econômico

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