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Temer diz que não cogita transferência do controle da Embraer para outra empresa

Temer afirma que não cogita transferir controle da Embraer para outra empresa.

O presidente Michel Temer disse nesta sexta-feira (22), durante café da manhã com jornalistas no Palácio da Alvorada, que o capital estrangeiro é bem-vindo na Embraer, mas que o governo não cogita transferir o controle da empresa brasileira fabricante de aeronaves.

Nesta quinta-feira (21), Embraer e a norte-americana Boeing divulgaram comunicado conjunto no qual informaram que estão discutindo uma fusão. A informação foi revelada pelo jornal "Wall Street Journal", segundo o qual a Boeing estaria negociando a compra da Embraer.

“Não há menor cogitação de transferir o controle [da Embraer] para outra empresa”, disse o presidente.

O governo pode barrar uma eventual mudança acionária na Embraer porque é detentor da chamada "golden share", ação de classe especial que garante poder de veto em decisões estratégicas.

"Aliás, lembrando que a golden share se deu exatamente no momento da privatização, para garantir ao governo federal esse controle", afirmou Temer.

O presidente destacou que a negociação entre Boieng e Embraer ainda não chegou “oficialmente” ao governo. Segundo ele, apesar de refutar a transferência do controle acionário, “toda parceria é bem-vinda”.

Temer diz que não vai ceder o controle da Embraer para a americana Boeing.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, que também participou do café, afirmou que Boeing procurou a Embraer para iniciar uma negociação. Ele também destacou que o governo é favorável a parcerias, mas que a empresa brasileira não deve ser vendida em razão de sua importância na área de defesa e tecnologia.

Ao reforçar a posição contrária à venda da companhia, Jungmann frisou a Embraer é importante para um "projeto nacional autônomo". "Sua venda e transferência do seu controle acionário desservem os interesses e a soberania nacionais”, declarou.

Segundo Jungmann, se o controle da Embraer for transferido para uma empresa estrangeira, essa companhia tomaria decisões sobre programas e investimentos estratégicos para o Brasil.

“A construção do programa de caças Gripen ficaria subordinada a outro país, o projeto KC-390 (cargueiro), essencial para as Forças Armadas e a defesa nacional, ficaria sobre o controle de outro país”, afirmou.

Nesta quinta-feira (21), após o comunicado conjunto das empresas, as ações da Embraer chegaram a ter uma valorização de 40% durante o dia. Fecharam em alta de 22,5%, a R$ 20,20. Em um dia, o valor de mercado da empresa subiu R$ 2,7 bilhões, para R$ 14,8 bilhões, segundo cálculo da provedora de serviços financeiros Economatica.

Temer em café da manhã com jornalistas, nesta sexta (22) (Foto: Alan Santos/PR).

Reforma da Previdência

O presidente voltou a defender a aprovação da reforma da Previdência, cuja primeira votação foi marcada para 19 de fevereiro na Câmara dos Deputados.

Por se tratar de emenda à Constituição, o texto terá de ser aprovado na Câmara e no Senado, com duas votações em cada Casa.

A intenção do governo era ter votado as mudanças previdenciárias na Câmara ainda em dezembro, porém, sem a garantia de que teria os 308 votos para aprová-la, optou-se pelo adiamento.

Segundo o presidente, mesmo que o governo não consiga realizar a votação em fevereiro, a “ideia” é manter a discussão e seguir em busca dos votos ao longo de 2018.

“A ideia é que se mantenha na pauta. Nós vamos mantendo na pauta, se não conseguir, digo eu, paciência. Depois, eu não quero ser pessimista. Sou otimista. A esta altura, já esta havendo esclarecimentos que levarão aos amigos parlamentares a convicção que vale a pena aprovar a reforma da Previdência”, declarou.

Questionado sob os efeitos de um eventual fracasso na votação da reforma, o presidente afirmou que o impacto “seria péssimo para economia”, gerando “descrédito de natureza nacional e internacional”.

“A inflação está sob controle, os juros sob controle. O que pode ocorrer [sem a reforma] é exatamente a quebra desse controle que hoje existe”, afirmou.

Temer disse que a denúncia da Procuradoria Geral da República da qual foi alvo após ter recebido na residência oficial do Palácio do Jaburu o empresário Joesley Batista – a denúncia acabou derrubada pela Câmara – o fez perder tempo em relação à reforma da Previdência.

"Perdi tempo, na verdade foi isso [...]. No mês de maio [quando vieram à tona as delações de executivos da JBS] estava tudo ajustado para aprovar a Previdência Social e não foi possível em face daqueles fatos", disse o presidente.

Ele afirmou que, se o governo não conseguir reunir os 308 votos necessários para aprovar a reforma na Câmara em fevereiro , o assunto permanecerá na pauta.

Temer diz que as pessoas têm vergonha de elogiar o governo.

Aprovação do governo

O presidente comentou levantamento feito pelo Ibope, divulgado na última quarta-feira (20), segundo o qual o governo é aprovado por 6% dos entrevistas. Em setembro, a aprovação era de 3%.

Em tom de brincadeira, Temer comemorou o aumento de 100% na aprovação de sua gestão. "Quero dizer que a nossa popularidade aumento 100%, foi de 3 para 6", disse o presidente.

PIS

Durante a entrevista, Temer anunciou que o governo vai editar, na próxima semana, uma nova medida provisória (MP) a fim de reduzir de 65 para 60 anos a idade mínima para saques de cotas do PIS-Pasep.

O governo anunciou em agosto uma medida provisória que liberou para saques de R$ 15,9 bilhões do PIS-Pasep para cerca de 7,8 milhões de idosos. O calendário de saques teve início em outubro.

A medida beneficiou homens com 65 anos ou mais e mulheres com 62 anos ou mais, já que anteriormente a idade era de 70 anos.

Essa medida, no entanto, não foi aprovada pelo Congresso Nacional dentro do prazo de 120 dias previsto pela Constituição, por isso, o governo vai reeditar a MP.

Fonte: G1

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