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Trabalhadores da Embraer temem demissões em possível fusão com Boeing

E195-E2 é um dos aviões produzidos pela fabricante nacional Embraer (Foto: Embraer/Divulgação).

Uma possível fusão entre Boeing e Embraer, cuja negociação foi confirmada nesta quinta-feira (21), foi recebida com apreensão pelos trabalhadores da unidade de São José dos Campos (SP), onde está localizada a sede da empresa.

A unidade tem 16 mil funcionários na cidade, segundo o sindicato da categoria, e 19 mil ao todo.

O G1 abordou os trabalhadores em frente à empresa na manhã desta quinta-feira (22). "Fica uma insegurança, pois não sabemos o que vai acontecer", disse Ronaldo Monteiro Lemos, que atua há três anos na unidade.

"Dá medo de uma transferência da fábrica para os Estados Unidos", disse Luiz Fabiano Pinheiro.

"É tudo muito recente, ainda não dá para saber se será bom ou ruim para nós", disse Alexandre Sandin Neves.

Outros trabalhadores afirmaram que o medo de encerramento das atividades da Embraer no Brasil vem crescendo desde 2015, quando a empresa levou a produção do Phenom 100 e 300 para os Estados Unidos. A divulgação das negociações ampliou a insegurança.

"Para a Boeing levar toda a operação para fora do país não custa nada", disse um funcionário que não quis se identificar.

Por outro lado, há funcionários que acreditam que a fusão pode trazer benefícios. "A Boeing é uma líder mundial, pode acrescentar muita coisa boa", disse Mateus Luiz Castro.

Cobrança

Para o Sindicato dos Metalúrgicos, que representa a categoria, a fusão ameaça os empregos no Brasil. "A Embraer não vende para o Brasil, o mercado dela é no exterior, acreditamos que é nisso que a Boeing vai pensar. Nossa preocupação é com a questão trabalhista e também com a defesa da soberania nacional", disse o diretor da entidade, Herbert Claros.

"As demissões a 'conta-gotas' já vem acontecendo e acreditamos totalmente que há o risco de demissões em massa, não amanhã, mas em um futuro próximo", continuou.

A entidade informou que irá protocolar nesta sexta um pedido de informações à Embraer e que fará uma campanha junto aos funcionários, com o objetivo de mobilizar os trabalhadores. Entre as medidas possíveis estão greves.

A fábrica entra em recesso de final de ano nesta sexta. As atividades serão retomadas em janeiro.

O G1 procurou a Embraer e aguardava um retorno até a publicação da reportagem. Em comunicado divulgado na quinta-feira, a empresa reforçou que a fusão está em negociação e não é uma medida já definida. "Não há garantias de que estas discussões resultarão em uma transação", informou em nota.

Fontes internas da Embraer, consultadas pelo G1 extraoficialmente, apontam que a possível cooperação entre as empresas poderia ampliar o escopo de atuação da fábrica de São José dos Campos.

Fonte: G1

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