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Voos para Europa, investimento nos EUA, fusão e A350: o futuro da Avianca Brasil

Frederico Pedreira, presidente da Avianca Brasil.

A última sexta-feira (15) não poderia ter sido mais especial para a Avianca Brasil.

Em clima de festa, decolava do Aeroporto Internacional de Guarulhos o tão esperado voo inaugural com direção a Nova York, nos Estados Unidos. A bordo, estavam o presidente Frederico Pedreira e o fundador José Efromovich. Já em solo norte-americano, Frederico Pedreira concedeu uma entrevista especial ao M&E. O executivo abordou as metas batidas neste ano, a expansão internacional, a chance de operar o A350 e o que o futuro reserva à companhia.

MERCADO & EVENTOS – No último dia 15 de dezembro, o fundador José Efromovich cogitou a possibilidade da Avianca Brasil iniciar voos para a Europa. O quão próximo esta afirmação pode estar da realidade?

Frederico Pedreira – Olhamos com muito carinho esta possibilidade de voar para a Europa. Agora, posso dizer de uma forma muito transparente e honesta que ainda não tomamos uma decisão a respeito. Estamos hoje muito focados e comprometidos para fazer destas novas rotas internacionais um sucesso. Miami, por exemplo, foi muito bem recebida com uma taxa de ocupação muito alta. Logo, nosso comprometimento agora é ter um excelente serviço para Nova York e uma ocupação realmente também excelente a nível da cidade.

MERCADO & EVENTOS – Hoje é mais fácil a Avianca Brasil chegar a um novo destino nos EUA ou lançar voos para a Europa?

Frederico Pedreira – Pela nossa filosofia e estratégia, sem dúvidas são os EUA. Sempre escolhemos aumentar nossa oferta para destinos já operados, do que lançar voos para novas cidades. Se nós acharmos que haverá mais demanda para um destino que já operamos, vamos primeiros enviar mais passageiros para lá, antes de pensarmos em abrir novos. Dito isto, faço o adendo que continuamos olhando a Europa com bastante carinho.

MERCADO & EVENTOS – Com tudo que a Avianca Brasil lançou este ano, podemos considerar 2017 como o ano mais importante da história da companhia? E as metas foram devidamente batidas?

Frederico Pedreira – É um ano para celebrar sem dúvidas. No entanto, eu diria que também houve outros anos muito marcantes. Em 2010, por exemplo, a chegada dos Airbus. Em 2015, a entrada na Star Alliance. Em 2016, o início das operações do A320neo. No entanto, digo que está entre os dois ou três anos mais importantes da história da companhia. Já com relação as metas, sem dúvidas foram todas batidas. Em especial, com relação as operações internacionais, que implica sempre um grande investimento, Mas, ao final, o valor foi muito menor do que o esperado, devido a aceitação do publico e uma taxa de ocupação mais alta do que prevíamos. É claro que houve um grande investimento em aeronaves e em serviço por conta dos novos voos, mas menor do que esperado.

MERCADO & EVENTOS – Este ano, a Avianca Brasil teve um ganho de share doméstico e internacional considerado recorde. De acordo com os números da Abear, por exemplo, de janeiro a novembro, a companhia cresceu quase 2% dentro do mercado doméstico. Qual é o segredo deste sucesso?

Frederico Pedreira – Eu não sei se é um segredo, mas é algo que temos muito claro: quem nós somos e quem nós queremos continuar sendo. Queremos ser a companhia aérea com o melhor serviço e preço competitivo. Por um lado, trabalhamos todos os dias para entregar o melhor serviço ao passageiro, que não é fácil, por conta de todas as limitações da operação aérea, e ao mesmo tempo ter uma estrutura de custos que nos permite praticar um preço competitivo. Quando nos perguntam o motivo da Avianca ser a empresa que mais cresce nos últimos seis anos no Brasil, com maior ocupação, é sem dúvidas por conta do melhor serviço e por entregá-lo a preço competitivo. É sem dúvidas a companhia que mais cresce no Brasil atualmente.

MERCADO & EVENTOS – Com a expansão internacional, vem também o aumento direto da frota de aeronaves. Há chances, portanto, dos A350s encomendados pelo Synergy Group chegarem à frota da Avianca Brasil?

Frederico Pedreira – Sem dúvidas. No entanto, é um horizonte mais longo. Estamos falando de três a quatro anos. É uma aeronave maior do que o A330, e que na altura que formos receber poderá fazer todo o sentido para entrar na nossa malha. Porém, não posso garantir porque não tenho uma bola de cristal para dizer que o mercado internacional do Brasil em 2020 vai estar bombando, mas hoje digo sem dúvidas que é a nossa intenção.

MERCADO & EVENTOS – A fusão entre as irmãs Avianca Brasil e Avianca Colômbia está cada vez mais perto?

Frederico Pedreira – Eu espero que sim, mas temos que trabalhar muito para isso ainda. Há tempos é a visão dos acionistas. No entanto, existe toda uma série de limitações que a Avianca Holdings tem como uma empresa pública. Há rituais e processos a serem seguidos. Estamos caminhando para isso e trabalhando de uma forma proativa para que logo aconteça.

MERCADO & EVENTOS – O Brasil já teve uma companhia de bandeira (flagship) no passado (Varig), como é o caso hoje da TAP para Portugal, da Lufthansa para Alemanha e da Air France para França, por exemplo. Você acha que isto faz falta ao mercado brasileiro no panorama atual?

Frederico Pedreira – Sinceramente, eu não sei. Era uma imagem que funcionava há 20 anos atrás, num outro momento da aviação, que havia sempre uma companhia de bandeira. De certa maneira, o transporte aéreo se popularizou e se tornou mais acessível, logo é mais difícil imaginar essa presença de uma companhia de bandeira hoje dentro de um mercado tão mais competitivo. Eu acho extremamente difícil hoje uma companhia voltar a dominar o mercado, o que é bom para o passageiro.

Fonte: Mercado e Eventos

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