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Azul diz que crise da sócia HNA não afeta plano de investimento

Rodgerson, da Azul, fala sobre o grupo chinês: "Não tem impacto. O plano de investimento da Azul independe do HNA".

O presidente da Azul, John Rodgerson, não cogita mudar o plano de investimento por causa de sua maior acionista individual, a chinesa HNA, que enfrenta dificuldades para pagar alguns compromissos.

"Não tem nenhum impacto. O plano de investimento da Azul independe do HNA", disse ele ao Valor.

O HNA detém 22,7% de ações preferenciais da Azul, após aporte de US$ 450 milhões em 2015.

Rodgerson diz que a Azul está capitalizada, com recursos em caixa, após operações de venda de ações na bolsa, com a oferta pública inicial (IPO), em abril de 2017, e captação de recursos com emissão de títulos de dívida. A empresa encerrou o trimestre com R$ 2,3 bilhões em caixa para dívidas totais de R$ 2,9 bilhões na mesma data.

O plano da Azul, a terceira maior companhia aérea do país, depois de Latam e Gol, tem encomendas para 50 jatos Embraer, 68 aviões Airbus A320 e cinco A330, entre pedidos firmes e opções, que ultrapassam US$ 8,5 bilhões.

A frota da Azul deverá crescer dos atuais 122 aviões para 141 até 2019. A Gol, com 115 aviões em operação em setembro, planeja ter 124 em 2019. E a Latam, que operava 308 aeronaves em setembro, projeta 318 para 2019.

O grupo HNA, diz Rodgerson, informou-o que não quer se desfazer de suas ações na Azul. "Eles tiveram duas oportunidades para fazer isso, no IPO e na oferta secundária, quando foram perguntados, mas não quiseram participar. Por isso, não acredito que eles venham a vender", afirma o executivo, referindo-se à oferta subsequente de ações, feita pela Azul no segundo semestre de 2017.

O HNA informa ter US$ 140 bilhões em ativos, mas seu CEO, Adam Tan, reconheceu que está sendo afetado pelo cenário geral de aperto de crédito na China desde o fim do ano passado, quando os bancos locais começaram a chegar ao limite das cotas de concessão de empréstimo. O HNA estima ter cerca de US$ 100 bilhões em dívidas e um quarto disso, aproximadamente, tem prazo de pagamento de até um ano. Nos últimos meses, alguns bancos hesitaram em trabalhar com a HNA.

O endividamento do grupo chinês cresceu depois que a holding engrenou uma onda global de aquisições que superou US$ 40 bilhões em compras, incluindo fatias da rede de hotéis Hilton, da Swissport de serviços aeroportuários, e do Deutsche Bank.

Nas últimas semanas, o grupo chinês usou parte de seus ativos mais valiosos como garantia para levantar recursos e aumentar o caixa. E anunciou que busca vender alguns ativos como edifícios comerciais nos Estados Unidos.

O negócio de aviação da HNA não deve ser alvo desse plano de venda de ativos por se tratar de "core business", diz Rodgerson, que recebeu essa informação do grupo chinês. Este controla a quarta maior empresa de aviação da China e a Avalon, companhia de arrendamento de aviões.

No Brasil, a HNA chegou a negociar a compra de uma fatia da operadora do Galeão, que pertencia à Odebrecht Transport. Mas não obteve a tempo autorizações do governo em Pequim para fechar o negócio. Assim, a participação privada no terminal ficou com a Changi, de Cingapura.

Em novembro, o grupo HNA assinou junto com a chinesa Yangtze River Development um acordo para investir em um projeto do empresário Alfredo Fumagalli para construir 30 terminais de armazenagem em Mato Grosso, com aportes de R$ 1,5 bilhão.

Fonte: Valor Econômico

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