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"Não vou brigar sozinho contra céus abertos"


A Azul desistiu de brigar contra a aprovação da etapa final do acordo de "céus abertos" entre Brasil e Estados Unidos - que permite que companhias aéreas dos dois países possam criar voos entre os dois territórios sem limites de cotas ou de destinos - e se concentrará agora em aproveitar a regra assim que ela entrar em vigor, com a ampliação dos acordos comerciais que já possui com a sócia United Airlines, terceira maior da aviação americana.

"Sim, vamos fazer JB [Joint Business Agreement, ou JBA]. A United é nosso parceiro, muito forte nos Estados Unidos e vamos fazer acordo", disse o presidente da Azul, John Rodgerson, referindo-se ao tipo de parceria conhecido como JBA, por meio da qual duas empresas aéreas decidem de forma combinada como vão operar os voos entre dois países, dividindo despesas e compartilhando receitas.

O executivo ponderou que seria melhor para o Brasil ter evitado a implementação do "céus abertos" agora, mas admitiu que, uma vez aprovada, a regra deve ser explorada comercialmente. "Para a Azul, não faz tanta diferença, porque os céus que voamos sempre foram abertos. A questão é que demos algo sem ter nada em troca. Mas agora não vou ficar como um bobo sozinho brigando", disse Rodgerson, referindo-se ao fato de as rivais Latam e Gol serem favoráveis ao compromisso de "céus abertos".

A United detém 4% dos direitos econômicos da Azul, fatia pela qual pagou US$ 100 milhões em julho de 2015. Ambas já têm acordo de "code-share", por meio do qual, por exemplo, um americano que voa dos Estados Unidos para São Paulo na United e segue para Porto Alegre em conexão da Azul realiza todo o processo de reserva, emissão de passagens e despacho de bagagens de forma integrada.

Mas com o JBA, a parceria será aprofundada, uma vez que a própria malha aérea da Azul e da United entre Brasil e Estados Unidos será feita de forma combinada.

O modelo de acordo JBA já foi assinado, por exemplo, entre a Latam e a American Airlines, mas para entrar em vigor depende do acordo de "céus abertos". O governo dos Estados Unidos considera essa uma pré-condição para liberar em território americano os contratos de JBA. Por isso, inclusive, a Latam defende de forma mais clara o compromisso entre os países. A Gol já declarou, mais de uma vez, que poderia assinar uma joint venture com a Delta, sua sócia, depois que o acordo de "ceús abertos" com os EUA fosse aprovado.

O acordo, assinado pelos governos brasileiro e americano em 2011, vem sendo implementado paulatinamente. A última etapa - que libera totalmente os céus entre os dois países - depende de ratificação no Congresso. Em 19 de dezembro, a Câmara deu o sinal verde; falta agora o Senado.

Rodgerson disse que as companhias dos Estados Unidos são maiores e as mais rentáveis do mundo, com forte geração de caixa. Por isso, em um mercado aberto, elas poderão vender voos a preços mais competitivos que as concorrentes brasileiras. Para comparar, a United transportou 81 milhões de passageiros e faturou US$ 28,2 bilhões em vendas nos nove primeiros meses de 2017. No mesmo período, a Azul atendeu 16,5 milhões de clientes para uma receita de US$ 1,8 bilhão pelo câmbio médio do período. "O corte de impostos do governo [do presidente americano Donald] Trump vai tornar as americanas ainda mais fortes", disse Rodgerson, referindo-se à mudança tributária americana aprovada em dezembro último que cortou a alíquota do imposto cobrado de corporações de 35% para 21%.

Fonte: Valor Econômico

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